Escolhas

fdsaVocê é dono do seu nariz, das suas escolhas, dos seus medos e suas verdades. Vivo em um mundo que não escolhi viver, mas posso escolher como vou conduzir esse caminho.

A jornada não é baseada no que você possui, mas em quem você se torna ao longo do caminho. Eu me vejo como uma pessoa digna de verdades. Faço escolhas com assídua certeza de suas consequências, não porque sou destemido, sim audacioso.

Não podemos deixar o medo de nossas dúvidas dominarem nossas escolhas. A vida é sua, faça o que tenha vontade, de forma justa e sincera. Ninguém viverá sua vida por você. E ninguém lutará suas batalhas por você. Isso é algo pessoal, único e intransferível.

Às vezes nos submetemos a escolhas de terceiros para agradar certas vontades, mas no fim isso não passa de uma procrastinação de suas verdadeiras vontades. Uma hora o véu da máscara cai e pode ser pesado demais o que está por trás dele.

Portanto seja sincero e digno de suas verdades. A vida é muito curta pra você perder tempo com coisas fúteis e infelizes.

Viva, lute pelos seus sonhos, mesmo que isso seja contra a utópica vida perfeita que a sociedade prega.

Sacrifícios são degraus do sucesso. Ninguém se tornou bem sucedido lamentando da vida, reclamando ou sentado no sofá esperando a oportunidade bater na porta.

 

 

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Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira

amor
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavanderia.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão covardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso, in ‘Jornal Expresso’

Definições

ImagemSaudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta
um capítulo.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra ¨perigo¨ o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não… Amor é um exagero… também não.
Um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.

(Adriana Falcão)

Presente Obsoleto

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Ele nasceu há centenas de anos. Como todos da nossa espécie, ele foi criado em laboratório, através do material genético de um doador designado. Era um processo que começou gerações antes, em 20 de Fevereiro de 2188, com a descoberta de um cientista em Boom, Bélgica, que tentava achar meios de melhorar a inteligência humana. Ele percebeu que se pudesse religar a porção do cérebro humano que induz a inveja, ele aumentaria a função cognitiva, sacrificando emoções por inteligência. Esta descoberta foi o catalisador da criação dos seres que vocês chamam de “Iluminados”. Seu trabalho continuou, e mais e mais emoções eram vistas como obstáculos para o objetivo.

Coisas como raiva, ganância, agressão, elas foram deixadas de lado pela busca da inteligência. E então, a humanidade se tornou tão inteligente e eficiente que perderam a perspectiva do valor dessas emoções…. não só das negativas, mas das positivas também. E logo empatia, compaixão e amor…tornaram-se distrações bagunçadas, e eles também viraram máquinas, e sem sentimento de amor… eles desenvolveram novas tecnologias de reprodução.

No início do amadurecimento deste garoto os cientistas encarregados da reprodução, notaram que o cérebro dele desenvolveu-se diferentemente das outras gerações. Sua maturação foi interrompida. Para eles, ele era uma anomalia. Um defeito. Ficavam se perguntando:

“Que material genético foi usado parar criar essa progênie?”

E observando a humanidade, a compaixão das pessoas… não podia ficar parado, então roubei o garoto e o escondi há 200 anos no passado…