O Medo: O Maior Gigante da Alma

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Para quem tem medo, e a nada se atreve, tudo é ousado e perigoso. É o medo que esteriliza nossos abraços e cancela nossos afetos; que proíbe nossos beijos e nos coloca sempre do lado de cá do muro. Esse medo que se enraíza no coração do homem impede-o de ver o mundo que se descortina para além do muro, como se o novo fosse sempre uma cilada, e o desconhecido tivesse sempre uma armadilha a ameaçar nossa ilusão de segurança e certeza.
O medo, já dizia Mira Y Lopes, é o grande gigante da alma, é a mais forte e mais atávica das nossas emoções. Somos educados para o medo, para o não-ousar e, no entanto, os grandes saltos que demos, no tempo e no espaço, na ciência e na arte, na vida e no amor, foram transgressões, e somente a coragem lúdica pode trazer o novo, e a paisagem vasta que se descortina além dos muros que erguemos dentro e fora de nós mesmos.
E se Cristo não tivesse ousado saber-se o Messias Prometido? E se Galileu Galilei tivesse se acovardado, diante das evidências que hoje aceitamos naturalmente? E se Freud tivesse se acovardado diante das profundezas do inconsciente? E se Picasso não tivesse se atrevido a distorcer as formas e a olhar como quem tivesse mil olhos? “A mente apavora o que não é mesmo velho”, canta o poeta, expressando o choque do novo, o estranhamento do desconhecido.
Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos.

FERNANDO TEIXEIRA DE ANDRADE (1946-2008)

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Duas Luas

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Ultimamente eu ando estranho. Acho que é decorrência da ausência de exercícios físicos, ando sentido um choque em meu joelho direito quando estou andando de bicicleta, mas isto não vem ao caso agora. Estou dormindo mal ultimamente, ando acordando a noite e perdendo o sono. Quando me vejo estou na cozinha, com a geladeira aberta. Os sonhos são sempre iguais.. me vejo em um lugar grande, vasto e que me perco o olhar no Horizonte.
Vejo um cara pequeno no campo, um anão com aqueles chapéus gigantes de japoneses e não consigo ver o seu rosto.. e no meio do campo onde ele passa as mãos as cores da vegetação vão mudando para amarelo(elas eram meio verde esmeralda).

No céu tem duas luas que fazem o dia brilhar como se fosse o sol, é como se você não vesse o sol em dia normal, mas a luz vem dessas luas(tipo, você pode olhar pro brilho delas direto sem os olhos arderem).

E eu vejo um andarilho numa estrada de terra, um senhor muito grande, de quase 4 metros de vestimenta preta, parecendo um monge, porém ele não sai da estrada(Não entra na vegetação), ele tenta entrar mas não entra por algum motivo.
Quando olho para trás vejo uma enorme torre, toda de vidro, um vidro brilhoso com algumas partes foscas. Uma torre tão grande que se perde nas nuvens.

O ar é gostoso de se respirar, você não sente fadiga em momento algum, lembro que eu corria por horas sem me cansar.

E chego embaixo desta enorme árvore, que tem uma sombra gigantesca e aos pés dela eu vejo outro anão com chapéu gigante de japonês… e novamente não consigo ver seu rosto. Só que este é diferente, eles tá com uma vestimenta meio azulada, da cor do mar do Caribe e estava conversando com um ser transparente, que também não conseguia ver seu resto, mas era muito grande também. eu disse que era transparente porque eu conseguia ver a árvore através dele.

O interessante é que eles não me viam.

E a língua que falavam eu não entendia nada, até que qdo o ser transparente foi embora, o anão da árvore falou em meu idioma: “Você não deveria estar aqui, isso é além da sua compreensão, não sei quem é você, nem de onde vem, mas você não deveria estar aqui.”

E então eu fui saindo de fininho, porque a voz dele era muito estranha, parecia várias crianças falando ao mesmo tempo, quando comecei a ir em sentido a estrada, o gigante de vestimenta preta sentiu minha presença e começou a me farejar, mas ele não entrava na vegetação.. mas sabia que eu tava ali. Acho que farejava meu medo, porque eu não sabia aonde tava. Acho que ele farejava a falta de conhecimento, sei lá.

 E eu,  ao olhar para o lado encontrei uma geladeira.. e fui em direção a ela no meio do mato. Ao abri-la eu acordei… e estava lá em casa, com a geladeira aberta e uma garrafinha de água na mão. Soltei a garrafa assustado, sorte que era de plástico.