Czar Invertido

pliticUma matéria do El Pais Brasil (Segue o link abaixo) mostra como as eleições para a DUMA (Baixo parlamento da Rússia), estão seguindo em “banho Maria”. Segundo o site, o principal motivo se dá pelo parlamento russo estar desacreditado perante a população local. Lá, eles só querem saber do presidente Vladmir Putin. Segundo a matéria, isso se dá, em parte, pelo povo da antiga União Soviética ainda respeitar o presidente como respeitavam os CZARES russos, que eram os donos do país.

Muitos falam que a Rússia e a Itália são o Brasil da Europa. Na política, os dois países tem diversas semelhanças com a nossa terra. Na Itália e na Rússia, a corrupção ainda é um problema. Na bota, coronéis como Silvio Berlusconi e a família Agnelli comandam o país e as decisões governamentais, já na Rússia, a corrupção, como aqui, é um vírus que não sai das veias de seus políticos. Na terra de Putin, os políticos são despreparados, vindos única e exclusivamente das fortes hierarquias familiares que são piores do que aqui e na bota.

Mas, percebamos como uma coisa se inverte nesse espelho sangrento entre Brasil e Rússia. Aqui, ao invés de culparmos somente as câmaras, ateamos todo o fogo na figura do presidente. Não falo aqui só de Dilma, me refiro a história da nossa política. Qualquer problema é ligado diretamente a figura do presidente, seja ele Lula, FHC, Itamar Franco ou Dilma. Enquanto os russos só reclamam do parlamento, esquecendo a figura de Putin, nós só atiramos em nossos “Putins”, esquecendo tudo que está por trás deles.

Isso se torna notório quando estamos em período de campanha eleitoral. Poucos são os debates sobre em qual vereador fulano irá votar. Todos os questionamentos estão em torno da figura dos prefeitos, esquecendo que as decisões passam pelos vereadores e que sem eles nenhuma lei poderá ser homologada.

A explicação para todo esse rebanhado de informações pode vir de não termos na nossa história a figura do líder “herói”. Nunca tivemos um rei, um czar, um monge, um sacerdote ou seja lá o que for, que fosse uma unanimidade burra em termos de hipnotizar a população.

Por um lado isso pode ser bom. Não criamos a cultura de acreditar piamente no líder e em suas ações. Mas, devido a nossa infantilidade política, levamos essa vantagem para um outro lado, onde toda culpa recai nos ombros do líder supremo.

Enquanto tivermos a cultura do Czar invertido, continuaremos preocupados somente com a figura central do poder sem se atentar para as laterais, lugar onde os abutres continuam comendo pelas beiradas sem que façamos diferença disso.

A dieta paleo em seis passos fáceis.

A dieta paleo em seis passos fáceis. Um guia motivacional“Coma Como Um Predador, Não Como Uma Presa”.

Este artigo existe por uma simples razão simples: perguntam-me muitas vezes, “Então, como funciona essa dieta paleo?” E eu quero dar às pessoas uma resposta que seja simples, sólida, e acima de tudo, motivadora. Eu quero que você termine de ler este artigo e pense: “Sim! Eu entendo, e eu consigo fazer isso.”

Aqui está: um guia passo-a-passo, mais ou menos por ordem de importância. Faça progressos a qualquer ritmo que você puder. Não se preocupe em seguir exactamente tudo o que vai ler, nem se torne obcecado em realizar todos os passos da lista: qualquer progresso que você consiga realizar irá provavelmente melhorar a sua saúde, humor e aptidão física.

Os itens “Não comer” são agrupados com os itens “Coma mais” de cada passo, assim você terá sempre algo para comer. Vamos a isso!

Primeiro, a nossa filosofia:

Coma como um predador, não como uma presa.

Os predadores empanturram-se e jejuam; as presas pastam.

Reformulado para os seres humanos modernos: os predadores comem refeições, as presa pastam em lanches. Isso significa que você precisa de fazer as refeições que o sustentem até a sua próxima refeição, mas isso não o irá fazê-lo ficar cansado ou com sono.

Veja aqui como!

1º Passo: Coma carne, não sementes de pássaros

  • Coma mais carne. Se não tem carne, não é uma refeição.
  • Favoreça os ruminantes, animais que comem erva e folhas. (Isso significa carne vermelha: Vaca, borrego, bisonte, alces, cervo, cabra) Os ruminantes são mais eficientes na conversão de plantas em gorduras essenciais, proteína completa, e de nutrientes biodisponíveis do que os seres humanos.
  • Compre carne de animais alimentados a pastos sempre que possível: é melhor para si, e as vacas não evoluíram para comer o milho e a soja, nem os seres humanos.
  • Compre cortes gordos, compre órgãos de forma ocasional. Não evite a gordura animal! Se você tentar, você irá desenvolver um apetite voraz por comida de “plástico” gordurosa. A dieta “paleo” baixa em gordura é conhecida como a “Dieta Faileo” (Falhada).
  • Carne de porco e de frango são permitidas com moderação, mas são muito menos saudáveis devido ao excessivo teor de gordura ómega-6.
  • Na verdade, você poderia parar por aqui, tal como muitas culturas nativas fizeram: desde que você coma órgãos, medula, carne e gordura de animais ruminantes alimentados a pastos, fornecem 100% das suas necessidades nutricionais. Mas a maioria de nós gosta de ter mais variedade na dieta e a inclusão de alguns vegetais e frutas oferecem benefícios de saúde concretos, mesmo que não forneçam uma quantidade significativa de calorias.
  • Coma mais peixe e marisco. Ingira especialmente peixes gordos, como a cavala, sardinha e salmão selvagem, mas tenha cuidado com o conteúdo de metilmercúrio: mantenha uma ingestão reduzida de atum, tubarão e outros carnívoros do topo da cadeia alimentar. (A tabela da FDA do teor de mercúrio pode ser encontrada aqui.) Num mundo Paleolítico poderíamos comer todos os peixes que quiséssemos… mas nós seres humanos, poluímos tanto todo o planeta, (principalmente pela queima de carvão para obtenção de energia) que um dos nossos alimentos mais saudáveis é hoje universalmente venenoso. Bom trabalho, “civilização”.
  • Não coma nada feito com ‘farinha’. Nem pão, nem pasta, nem cereais, nem bolachas, donuts. Ponto final. Este é o passo mais importante.  A farinha vem de sementes esmagadas. Quem come sementes e cereais? Pássaros e roedores. Se ele é venenoso para os seres humanos até que os transformámos em pó e cozinhamos, e causa deficiências minerais e defeitos de nascimento, a menos que sejam adicionam vitaminas, não é um alimento. (Leia mais sobre lectinas, ácido fítico, e o papel dos cereais na auto-imunidade e doenças cardíacas.)
  • Não beba o seu alimento. Nenhum tipo de refrigerante (mesmo refrigerantes de dieta), nada de bebidas desportivas, nada de leite, nem “leite” de soja, nada de batidos, nada de sumos de frutas, nada de bebidas de iogurte ou vegetais. Café, chá, e mate podem ser consumidos com moderação. Aprenda a beber água: uma vez que você se habitue, vai achar que os refrigerantes e sumos não aliviam a sua sede. (Você pode potencialmente adicionar mais tarde pequenas quantidades de lacticínios e frutas/sumos de vegetais de novo, se tiver atingido os seus outros objectivos.)
  • Não ingira açúcar de mesa, ou seus equivalentes. Isso inclui nomes artificiais e enganadores como “xarope de arroz integral”, “o néctar da agave”, e o meu favorito, “sólidos evaporados de sumo de cana.” É isso é o que o açúcar é! Chiça. Mesmo o mel é basicamente quase só açúcar, embora tenha propriedades medicinais úteis. Os adoçantes também ficam de fora, tal como são os açúcares de álcool.
  • Se você não pode passar sem ‘carboidratos (açúcares), ingira amidos de tubérculos. Prefira alimentos que são ricos em glicose e baixos em frutose, especialmente de amidos de tubérculos, como batatas. Não se esqueça da  batata-doce,cenoura, sago, taro, casava, inhame e tapioca…e descasque sempre as suas batatas, já que é onde se encontra a solalina. Se precisa realmente de comer comida de pássaro, o arroz é o menos mau dos cereais … mas dê a si mesmo um par de semanas para ver se isso são apenas sintomas de abstinência, ou se você realmente precisa deles numa base regular.
Importante! Se você é uma pessoa activa e não está interessado em perder peso (ou a tentar), deve ingerir mais carboidratos do que o indivíduo comum que está a tentar perder alguns quilos.
Neste artigo não nos estamos a dedicar à nutrição desportiva… mas de uma forma geral, considero que os “refeeds” ocasionais de carboidratos, quando necessários que reabastecer as reservas de glicogénio, são muito melhores do que uma dieta cheia de pasta, “barras energéticas” e outras comidas de “plástico” açucaradas.
De uma forma geral, se sente que está a perder resistência e força durante a realização de esforços intensos e prolongados, tente aumentar a sua ingestão de carboidratos.

Lembre-se, a carne gorda é a sua fonte primária de calorias e nutrientes. Muito poucos livros ‘mainstream’ e de dieta paleo sugerem ou referem isso.. Você é um predador: coma como um.

Parabéns! Você acabou de realizar algumas mudanças massivas e positivas na sua vida.

Você pode estar a passar pela abstinência do pão e cereais, com períodos em que realmente os deseja. Isso é absolutamente normal: você está a forçar o seu corpo a aprender a queimar gordura de novo, porque está habituado a usar todo o açúcar (‘carboidratos’) que você comia.

No entanto, você provavelmente já está a sentir um aumento na energia, diminuição da fadiga pós-refeição, e uma diminuição do desejo de petiscar. Mantenha-se concentrado! Os desejos vão-se dissipar, mas os benefícios não.

A melhor parte de uma dieta primitiva/”paleo” é que você não tem que medir ou controlar nada: não há contagem de calorias, não há ‘pontos’, não há preocupações com proporções de macronutrientes. Coma alimentos de verdade, e você não precisará de se preocupar em manter afastado o seu vício de comida de “plástico”.

2º Passo: Coma Alimentos, Não BioDiesel

  • Compre cortes gordos de carne, cozinhe com a sua gordura incluída. Se precisa de mergulhar carne em manteiga para torná-la comestível, é porque que é demasiado magra. Eu rio-me sempre o quando vejo pessoas a fazer sanduíches com hambúrguer de baixo teor de gordura ou de peito de frango sem pele, para em seguida, cobrirem-nos com queijo e maionese, pois está muito seco! Dica: Peça ao seu talhante cortes de carne com a gordura. Esses cortes muitas vezes são mais baratos.
  • Cozinhe com manteiga de gordura de animais alimentados a pastos, (não com banha de porco) e óleo de coco. Estas são as gorduras saudáveis: não hidrogenam durante o processo de cozinhamento da mesma forma que os óleos de sementes (produzem gorduras trans), e têm um teor de gordura ómega-6 de quase 0.
  • Cozinhe com ovos, e coma sempre as gemas. As claras de ovo são praticamente apenas proteína … os nutrientes estão quase todos na gema. E poucas refeições se tornam menos nutritivas com a adição de um ovo.
  • Não ingira “óleos vegetais”. O termo em si é uma mentira. Não existe tal coisa como “óleo de alface” ou “óleo de brócolos”. Eles são feitos a partir de sementes, e eles são extraídos usando solventes orgânicos venenosos (hexano). Lembre-se: se você pode colocá-lo num camião e o camião anda, então não é um alimento.
  • Isto significa, nada de batatas fritas ou outros alimentos fritos, como os chips de milho (ou quaisquer outros “chips”), nada de margarina, ou falsos substitutos da manteiga, nada de maionese, e pode basicamente ignorar todo o corredor de bolachas e lanches dos supermercados.
  • Esta proibição inclui a granola, que é apenas alpiste em combinação com óleo e açúcar. “Nozes” de milho e ervilhas wasabi também são embebidas em óleo: francamente, nada que possa permanecer em silos durante muito tempo, é comida. Uma das melhores coisas que você pode fazer pela sua saúde é evitar tudo o que vir nos corredores de “alimentação saudável”.
  • O azeite extra-virgem, queijo, abacate e nozes são OK com moderação … pense neles como condimentos, e não como ingredientes. Se precisa de comer uma lata de nozes ou um tijolo de queijo, é porque  não comeu carne suficiente.
  • As natas, creme de leite, iogurte gordo natural (não os inúteis doces ‘low-fat “), e chantilly proporcionam molhos deliciosos, temperos e sobremesas, usados com moderação. Mas lembre-se que a carne gorda é sempre a sua fonte primária de calorias.

Muito bem! Você deu mais um grande passo para melhorar a saúde e para uma maior vitalidade. Já não está a atravessar a vida como uma gazela ferida, esperando as garras da morte no seu pescoço a qualquer momento. Está-se a tornar menos saboroso e mais perigoso a cada dia.

Sim, todos nós precisamos de algum apoio moral quando tentamos desistir das batatas fritas e salgadinhos de milho. Mas você não preferiria ter uma omelete ao pequeno-almoço, e depois não ter de lanchar? Manteiga, ovos e óleo de coco sabem muito melhor do que os óleos de semente e ‘sprays’ … e depois de os ter usado por um tempo, irá começar a perceber que o óleo de canola tem um cheiro terrível, e que sua comida é muito menos gordurosa, apesar de ter um teor muito mais elevado de gordura.

O mais importante, agora que você já não come pratos enormes de açúcar (‘carboidratos’) e óleos rançosos de sementes, você irá notar que as grandes refeições saudáveis já não o fazem adormecer.

E também vai descobrir que é muito mais fácil passar sem comida, agora que o seu corpo se voltou a habituar a queimar gordura.

Em suma, você vai ter mais horas úteis no seu dia-a-dia, agora que você não está a gastar o tempo em coma alimentar ou a comer constantemente para evitar a hipoglicemia – o que lhe irá compensar o tempo extra que irá passar a cozinhar e a comprar alimentos.

Para além disso, a compra de alimentos é rápida e fácil, quando os lugares aonde você tem que ir é ao talho, mercado de vegetais e frutas e secção dos condimentos.

3º Passo: Suplementos para um mundo imperfeito

  • Considere os suplementos de vitamina D3. Os nossos corpos produzem naturalmente a vitamina D3 a partir da exposição ao sol … mas o homem do paleolítico não vivia nem trabalhava em ambientes fechados. 2000 UI por dia é, pelo que entendi, um bom começo para a maioria dos adultos. Esteja avisado: existe uma controvérsia substancial acerca da dose recomendada, enquanto alguns afirmam que 2000 UI por dia é o limite máximo absoluto, outros recomendam até 10.000 UI.
  • Considere os suplementos  EPA e DHA (“ómega-3 “). A carne de animais alimentados a cereais que somos muitas vezes obrigados a comer contém níveis mais elevados de gorduras pro-inflamatórias ómega-6, e níveis menores de gorduras anti-inflamatórios omega-3, do que a carne natural de animais alimentados a pastos. 1g/dia de EPA e DHA pode ser útil se não comeu nenhum peixe gordo nesse dia, ou se comeu carne de animais alimentados a cereais, mais se está grávida ou não consegue parar de comer fritos.
  • O óleo de linhaça (ALA) não é um substituto aceitável. Os nossos corpos são terrivelmente ineficientes (menos de 1%) a convertê-lo para o DHA que precisamos. Além disso, o seu nome real é o óleo de linho. Isso é um polidor de móveis e os polidores de móveis não são comida.
  • Eu não sou médico, e você é responsável pela sua própria saúde. Faça a sua própria pesquisa, e se observar efeitos adversos, use o bom senso. O que o seu corpo lhe diz é mais importante do que um site diz.

Se conseguiu chegar até aqui, está a ir muito bem e já está muito mais saudável do que quando estava na SAD (Standard American Diet), mesmo que não tenha perdido algum peso. (Mas as probabilidades de que tenha perdido peso são boas.) Provavelmente irá também perceber, ao longo do tempo, que está mais feliz e menos deprimido, e que os seus problemas de pele e alergias são menos graves (ou desapareceram completamente), e que apanha escaldões com menos facilidade.

4º Passo: Aja como um predador

  • Jogue duro, trabalhe duro, desafie-se a si mesmo, depois descanse. Levante objectos pesados, faça sprints até ficar sem fôlego, suba a árvores e salte, chute bolas, jogue basquet. escave neve, cave valas, corte lenha. Pratique agilidade, bem como força e resistência. As pessoas vão olhar para si, se estiver a fazer as coisas certas, porque estará a divertir-se e não a correr na estrada com ‘sapatilhas de corrida’, com aquele olhar vago de sofrimento resignado geralmente vistos em gnus sendo comidos vivos por hienas. O mundo é o seu campo de jogo! (E se os outros não vão tirar proveito dele, tanto pior para eles.)
  • Não faça ‘exercício’, não ‘faça cardio. A única maneira de melhorar é esticando os seus limites. Irá perder mais peso e ganhar mais força a partir dos treinos curtos e intensos realizados de forma esporádica do que com horas e horas de ‘cardio’. Você é um ser humano, não um hamster; saia do tapete rolante! A sério: vai conduzir para o trabalho, e depois conduzir para o health club para que possa pedalar uma bicicleta que não vai a lado nenhum? Imagine o seguinte: de cada vez que ficar com fome, você e os seus seis amigos mais próximos têm de perseguir um antílope ou lancetar um mamute e se não conseguirem, nenhum de vocês irá comer. Essa é a intensidade necessária.
  • Se você precisar de “treinar”, faça exercícios com o peso corporal, e adquira alguns halteres ou kettlebells. Dessa forma, você pode terminar um treino antes mesmo de chegar ao ginásio. O nosso objectivo é a saúde e fitness: um corpo de ginásio dá muito mais trabalho. (Faça isso se quiser, e admiro aqueles com dedicação para esculpirem-se, mas não é necessário) Lembre-se, você deveria estar a realizar actividades físicas intensas e breves ao longo do dia: você não vai andar a conduzir para o ginásio três vezes por dia. Nota:  Se tem tempo e gosta mesmo disso, então levante pesos pesados e ganhe força. Especialmente as mulheres: Não vão transformar-se de repente no Arnold dos anos 70 só porque fazem agachamentos.
  • Pare de tentar “economizar energia”. Integre o esforço físico na sua vida. Não perca tempo à procura do espaço de estacionamento mais próximo: basta estacionar e andar. Suba pelas escadas. Retire a sua própria neve, corte a sua própria lenha. A menos que você seja carpinteiro ou trabalhador da construção, você realmente precisa que a chave de fenda sem fio?

Parabéns! Você juntou todas as peças do puzzle. É muito provável que já esteja a dormir melhor agora que já se está se está esforçar regularmente em termos físicos. Você está a pensar no mundo como o seu campo de jogo, e você está a ver os ambientes familiares com novos olhos. E agora que os sintomas da retirada da SAD (Standard American Diet) já se desvaneceram, você está-se a sentir com mais energia e a pensar com mais clareza, devido à acção da grelina, agora que estar com fome, não o torna apenas irritadiço e hipoglicémico.

Por outras palavras, o seu corpo está finalmente, talvez pela primeira vez, a começar a funcionar como deve.

Agora que você está fisicamente mais forte, vai achar que também está mais forte emocional e mentalmente. Você está menos disposto a ser pisado e a ser tido como certo, e mais propenso a receber o crédito por aquilo que merece. Está a começar a entender como se sente ser um predador, em vez da presa que tem sido durante tanto tempo.

Você experimentou o poder, e é delicioso. Você quer mais.

5º Passo: Optimização

Até agora estivemos apenas a limpar as pontas soltas. Alguns de vocês podem nunca chegar até aqui, alguns podem achar que não faz muita diferença e voltam para trás, e alguns podem encontrar aqui a chave para uma saúde óptima.

  • Retire quaisquer grãos remanescentes da sua dieta. Isto já deveria ter sido feito, mas se você ainda anda a comer milho, aveia, ou qualquer outro cereal “saudável” como kamut ou amaranto, elimine-os. Elimine de forma absoluta todos os cereais com glúten da sua dieta: trigo, centeio, cevada, espelta. (Você já deveria ter feito isso, eliminando a farinha no 1º Passo, mas as pessoas arranjam sempre maneira de comer algum tipo de cereal ou alimentos com nomes falsos mas que são cereais. E o glúten esconde-se em todos os tipos de coisas de que você não se dá conta.)
  • Remova as restantes leguminosas (feijão) da sua dieta. Isto é geralmente é fácil, uma vez que você estará a obter muita gordura e proteína da carne. Tal como os cereais, as leguminosas são sementes e são indicadas para os pássaros e roedores, não para os seres humanos.
  • Remova todo o restante lixo da sua dieta. Existe uma grande quantidade de não-alimentos que tecnicamente se esgueiram através das regras acima, mas que todos nós sabemos perfeitamente bem que são lixo. Não vou enumerá-los, porque há milhares … mas se ele tiverem mais de uma camada de embalagem, contém qualquer ingrediente que você não entende, afirmam quaisquer benefícios para a saúde no rótulo, ou é uma versão falsa de outra coisa , não é um alimento.
  • Experimente remover os produtos lácteos da sua dieta. O leite já está fora, mas algumas pessoas sentem-se melhor sem queijo, iogurte, ou mesmo natas. (Manteiga é basicamente 100% gordura e é extremamente improvável que cause problemas para alguém.) Em geral, quanto mais gordura e menos caseína e lactose contiver, menos provável é que cause problemas.

Agora que você está elegante, forte e perigoso, está-se a sentir muito satisfeito consigo mesmo. Você acorda descansado, sem dores ou sofrimentos, e sabe-se capaz de perseguir, matar e comer o que quer que os problemas do dia-a-dia lhe possam trazer. No entanto, deve permanecer atento em relação a um parasita insidioso que se alimenta do seu orgulho e suga a sua força:

Complacência.

6º Passo: Nunca Pare de Caçar

  • Treine com mais intensidade e de formas diferentes. É fácil ficar preso a um “programa de treino”. Explore um lugar novo. Aprenda uma habilidade que ainda não domina. Experimente o treino intervalado. Tente um desporto de equipa se for um indivíduo solitário, ou pratique desportos individuais se for um jogador de equipa. Defina metas que não esteja certo que pode alcançar.
  • Se vai fazer uma “cheat meal”. Coma algo delicioso e com uma porção limitada, ou demasiado cara para comer com frequência. Se for beber uma Coca-Cola é provável que compre um bolo para acompanhar, ou uma pizza. Se entrar num MacDonald´s,é provável que não saia de lá sem comer em excesso. Depois de abrir um pacote de bolachas, você irá comê-las todas e ambos sabemos disso.
  • Desconfie de todos os conselhos de dieta. Qualquer um pode escrever um livro de dieta e a maioria deles descrevem a nutrição de forma complicada para que você continue a comprar livros e ir a congressos. Lembre-se que os estudos observacionais não lhe indicam necessariamente se algo é saudável para comer: os que eles dizem é os alimentos que as pessoas saudáveis de determinados estudos comeram. Os resumos e conclusões muitas vezes deturpam os dados. E as comparações são normalmente entre “absolutamente terrível” (cereais refinados, açúcar, gorduras trans) e “menos maus” (cereais integrais), o que não significa que os alimentos”menos maus” sejam realmente bons para si, nem que o culpado ‘ absolutamente terrível “seja o que eles afirmam que é.
  • Ouça o seu corpo. Assim que estiver a funcionar a um nível alto o suficiente para notar a diferença, você irá entender o que o está a ajudar e o que o está a prejudicar, e não apenas o que está a alimentar os seus vícios. Faça mudanças individuais e avalie os seus efeitos antes de passar para outro: não mude muitas coisas de uma só vez, ou nunca saberá o que está a fazer o quê. Se está fisicamente muito activo, poderá necessitar de alguma glicose (amido) na sua dieta para manter o peso estável e o seu nível de energia alto durante o esforço severo. E se o seu corpo anseia por um determinado vegetal, coma-o Você pode estar a precisar de alguns micronutrientes.
  • A sua vida e a sua saúde são suas. Você é responsável por eles em todos os aspectos. Não deixe que artigos opinativos das “notícias” lhe digam que um novo produto industrial é a chave para uma saúde melhor, ou que um alimento que os seres humanos têm comido por milhões de anos, é agora mortífero para si. Suspeite quando o seu governo, que gasta biliões de dólares por ano para subsidiar o agronegócio para cultivar milho, soja e trigo, lhe diz para comer mais milho, soja e trigo. E lembre-se que os ruminantes são mais eficientes na conversão de plantas em gorduras essenciais, proteína completa, e de nutrientes biodisponíveis do que os seres humanos ou as nossas fábricas.

Retirado do (Musculacao.net)

Benjamin Franklin: A verdadeira Biografia

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Benjamin Franklin foi um dos pioneiros do espírito de auto-aprimoramento americano. Tendo tido menos de três anos de educação formal, ele aprendeu por conta própria quase tudo que sabia, incluindo francês, alemão, italiano, latim e espanhol. Ele aprendeu a tocar violão, violino e harpa, por exemplo. Tornou-se autor e editor influente; fundou uma gráfica, um jornal e uma revista de sucesso, criando também uma rede de parcerias entre gráficas por todas as colônias americanas.

Na Filadélfia, ajudou a fundar o primeiro batalhão de polícia, o primeiro corpo de bombeiros, a primeira empresa de seguros contra incêndios, o primeiro hospital, a primeira biblioteca pública e a faculdade que se tornaria a primeira instituição de ensino superior da Pensilvânia (University of Pennsylvania). Trabalhando para os correios, ele primeiro dobrou e depois triplicou a freqüência das entregas.

Segundo relatos, Franklin reuniu a primeira das grandes bibliotecas privadas dos Estados Unidos e ajudou expandir as fronteiras da ciência e das invenções. Fundou a American Philosophical Society, a primeira associação científica do país, que criaria a primeira biblioteca e museu de ciências e o primeiro escritório de patente; mais de noventa membros da sociedade receberiam prêmios Nobel. Durante suas oito viagens transatlânticas, Franklin tomou medições que ajudaram a mapear as correntes do golfo. Foi um dos pioneiros no estudo da hidrodinâmica e meteorologia. Inventou as lentes bifocais, mas ficou mais famoso por seus experimentos com eletricidade, especialmente com relâmpagos.

Franklin esteve mais envolvido com a fundação da república americana do que qualquer outra pessoa. Como representante dos americanos em Londres, convenceu o parlamento inglês a abolir o impopular Stamp Act [“Lei do selo”], o que deu aos americanos dez anos a mais para se preparar para o conflito armado com a Inglaterra. Ele estava no comitê que indicou Jefferson para escrever a primeira versão da Declaração da Independência. Foi à França, onde garantiu ajuda militar e uma aliança formal, sem a qual os americanos dificilmente venceriam a guerra revolucionária. Ajudou nas negociações de paz com a Inglaterra. Conseguiu criar o consenso que impediu o colapso da Convenção Constitucional e fez com que a Constituição fosse adotada.

Franklin criou ligações entre os nascentes movimentos em defesa da liberdade. James Madison lembrava que “nunca tinha passado meia hora em sua companhia sem ouvir alguma observação ou anedota digna de ser lembrada”. Franklin jantou com Adam Smith, o autor de Wealth of Nations [“A riqueza das nações”]. O filósofo escocês, David Hume, disse a Franklin que “a América tem nos dado muitas coisas boas: ouro, prata, açúcar, tabaco, índigo, mas você é o primeiro filósofo e, de fato, o primeiro grande homem de letras que devemos à América”. Edmund Burke, que se opunha à guerra da Inglaterra contra as colônias americanas, chamou Franklin de “o amigo da humanidade”. Quando Voltaire, o francês espirituoso, se encontrou com William Temple Franklin, ele brincou: “Deus e Liberdade! Essa é a única benção que pode ser dada a um neto de Franklin”. Jacques Turgot, que implementara os princípios do laissez-faire na França, observou que Franklin “arrancara os relâmpagos do céu e os cetros dos tiranos”.

Franklin, que só se tornaria um revolucionário mais tarde na vida, negociara escravos como parte da sua atividade geral como comerciante. Ele e sua esposa tinham dois escravos. Em 1758, aos cinqüenta e dois anos de idade, ele propôs que fosse fundada a primeira escola para negros na Filadélfia. Aos setenta, parou de apoiar o Império Britânico e se comprometeu com a Revolução Americana. Os Quakers da Filadélfia lançaram o movimento abolicionista ao fundar a Pennsylvania Society for Promoting the Abolition of Slavery (1775); essa pioneira sociedade cessou suas atividades durante a Revolução, mas voltou à ativa em 1787 quando Franklin, aos oitenta e um anos de idade, se tornou seu presidente. Dois anos depois, ele declarou seu apoio aos ideais da Revolução Francesa.

Embora Franklin fosse generoso com os amigos e com suas famílias adotivas, era insensível com sua própria. Ignorou os pedidos da sua esposa moribunda, que queria que ele voltasse da Inglaterra, onde representava os interesses das colônias. Ele não aceitou que sua filha, Sarah, se casasse com o homem que amava. A decisão de seu filho, William, de se aliar aos ingleses durante a Revoluação Americana provocou um amargo rompimento, que nunca foi curado.

Como o biógrafo Ronald W. Clark observeu, “Franklin tinha quase um metro e oitenta de altura, corpo entroncado e musculoso … Era visivelmente capaz de se defender, uma vantagem significativa no duro século XVIII… Esses atributos físicos eram complementados por uma grande agilidade mental, de modo que, tanto na hora de agir como de discutir ele tendia a tomar a tomar a dianteira da maioria dos homens. Acima de tudo, tinha uma determinação férrea em alcançar o sucesso, ficando bastante impaciente com aqueles que ficavam em seu caminho, o que era significativamente disfarçado por sua natureza instintivamente sociável”.

Benjamin Franklin nasceu em Boston no dia 17 de janeiro de 1706, o décimo filho de Abia Folger, cujo pai trabalhava como servo para pagar suas dívidas de imigração. Seu pai, Josiah Franklin, era fabricante de velas. Aos oito anos de idade, ele foi matriculado na Boston Latin School, que ensinava letras e matemática, e passou a trabalhar como aprendiz na loja do pai. Por gostar de livros, seu pai lhe arranjou um trabalho com seu irmão, que então tinha vinte e um anos, James, um editor de Boston. “Todo centavo que caía nas minhas mãos era investido em livros”, relatou o próprio Franklin.

Franklin foi para Filadélfia, a cidade mais vibrante das colônias americanas, onde ouviu falar que um editor precisava de ajuda. “Eu estava ainda sujo da estrada”, escreveu sobre sua chegada no Market Street Wharf, “ ainda carregava minhas bagagens entupidas de roupas, não conhecia viva alma, nem tinha ainda hospedagem. Estava cansado da viagem, da estrada e do rio, precisando de descanso. Estava faminto e todas minhas reservas financeiras eram um Dutch Dollar e cerca de um Shilling em cobre”.

Franklin conseguiu um emprego, impressionou as pessoas e foi enviado à Inglaterra para tratar de equipamentos de impressão. O financiamento dos equipamentos não deu certo, mas em 1725 e 1726 ele trabalhou para duas das grandes gráficas londrinas e passou por uma experiência valiosa. Em Londres, na capital intelectual da Europa, Franklin ampliou sua visão de mundo. Durante os tediosos setenta e nove dias de viagem para casa, ele anotou alguns dos princípios para o sucesso. O original se perdeu, mas os pontos principais provavelmente são semelhantes aos que ele relembraria depois: “1. É necessário que eu seja extremamente econômico, até pagar tudo que devo. 2. Esforço-me para dizer a verdade em toda circunstância, não criar expectativas que provavelmente não serão cumpridas, tendo a sinceridade como objetivo em cada palavra e ação. 3. Dedico-me com determinação a qualquer negócio que eu tenha à mão, sem distrair minha mente com nenhum projeto bobo que supostamente me tornaria subitamente rico, porque a paciência e a dedicação são os únicos caminhos seguros para a abundância. 4. Tomo uma firme decisão de não falar mal de nenhum homem de modo algum”.

Nos meses seguintes ao seu retorno, no final de 1726, ele começou a trabalhar para si próprio. Fechou contratos para imprimir a moeda da Pensilvânia e o primeiro romance publicado na América (Pamela, de Samuel Richardson), e vendeu material impresso por outras gráficas, incluindo a Bíblia e formulários jurídicos. Franklin comprou um jornal falido, mudou seu nome para Pennsylvania Gazette, e escreveu vários artigos. A edição do dia 28 de dezembro de 1732 anunciou a venda de “Poor Richard: An Almanack” [“Almanaque do pobre Ricardo”], que trazia memoráveis aforismos sobre o sucesso, como, por exemplo: “Deus ajuda aqueles que ajudam a si mesmo”, “A diligência é a mãe da boa sorte”, “Dormir e levantar cedo tornam o homem saudável, próspero e sábio”, “Ao fazer o bem aos outros, você faz o melhor para si mesmo”. Poor Richard’s Almanack foi publicado anualmente até 1758, vendeu dez mil cópias por ano, e ajudou a tornar Franklin um nome conhecido.

Em 1727, Franklin fundou um grupo chamado “Junto”, definido como “um clube para o mútuo aprimoramento”, que se encontrava semanalmente nas sextas à noite, inicialmente em uma taverna e, depois, em uma sala alugada. Os participantes incluíam jovens aprendizes, e todos faziam apresentações uns para os outros. Durante as três décadas seguintes, o Junto ajudou a fundar muitas das instituições da Filadélfia, começando com a primeira biblioteca pública da cidade. Para aumentar a segurança contra o crime, Franklin fundou um programa chamado “City Watch”, que organizava patrulhas de vizinhos à noite. Ele promoveu a pavimentação, limpeza e iluminação das ruas e deu apoio crucial ao primeiro hospital da cidade. Acreditava que a Pensilvânia devia ter ensino superior, e recomendou que seu foco fosse em habilidades básicas como escrever e falar. Sua lista de indicações de leituras incluía o autor revolucionário do século XVII Algernon Sidney. Em 1749, Fraklin foi eleito presidente da nova faculdade, que se tornaria a University of Pennsylvania.

Franklin teve algumas aventuras românticas e uma delas gerou seu filho, William. No dia 1 de setembro de 1730, ele se casou, dentro da lei civil, com Deborah Read, um filha de carpinteiro, que parece mal ter sido alfabetizada. Eles tiveram um filho, Francis, que morreu quatro anos depois de varíola e uma filha, Sally (Sarah), que nasceu em 1743. O primeiro filho de Franklin, William, morava com eles. Durante os quarenta e cinco anos seguintes, Deborah deu mostras de uma paciência fenomenal, enquanto Franklin passava décadas em viagens de negócios pelas colônias e pela Europa.

Com sua entusiasmada curiosidade, Franklin se dedicou a seus inúmeros interesses científicos. Estudou padrões climáticos, especulou sobre a origem das montanhas, inventou um forno à lenha mais eficiente que se conectava a um radiador e, em 1744, começou a popularizá-lo como o Pennsylvania Fire Place. Franklin começou a fazer experimentos com eletricidade. Em junho de 1752, escalou uma montanha da Filadélfia, colocou uma pipa de seda para voar durante uma tempestade, atou o fio a uma chave – e recebeu um choque elétrico. Ele publicou o livro Experiments and Observations on Electricity [“Experimentos e observações sobre a eletricidade”], que foi traduzido para francês, alemão, italiano e latim. Desenvolveu pára-raios que atraíam os relâmpagos para longe das casas e as protegiam de incêndios. Esses pára-raios conquistaram para Franklin a gratidão de pessoas por toda a Europa e Estados Unidos. Foi eleito membro da English Royal Society e da French Académie des Sciences.

Na época em que Franklin se tornou famoso por seus experimentos com eletricidade, estava profundamente envolvido com a política da Pensilvânia, tendo sido eleito para o congresso do estado em agosto de 1751. Enquanto França e Inglaterra lutavam pelo controle da América do Norte, os franceses formaram alianças com muitas tribos indígenas, e a Pensilvânia ficou vulneráveis a ataques. Franklin ajudou na organização da milícia de cidadãos. Em 1754, propôs a criação de uma federação das colônias submetida à coroa inglesa.

Publicou The Way to Wealth [‘O caminho da prosperidade”] que, baseado no Poor Richard, chegou a ter nove edições em espanhol, onze em alemão, cinqüenta e seis em francês, e setenta em inglês. Além disso, o livro também foi traduzido para o checo, catalão, chinês, dinamarquês, gaélico, grego, polonês, russo, sueco e galês. O sucesso do livro tornou Franklin conhecido no exterior, o que o ajudou em suas atividades diplomáticas.

A política da Pensilvânia ficou mais intensa. Muitas pessoas se ressentiam da família Penn por suas vastas terras serem isentas de impostos, de modo que ela não ajudava a pagar pelos custos de defesa. O congresso da Pensilvânia enviou Franklin para Londres, esperando que ele defendesse seus interesses contra a família Penn. Ele foi bem sucedido e a família passou a pagar impostos como todo mundo.

Massachusetts e Geórgia também pediram a ajuda de Franklin para se oporem aos impostos britânicos. O parlamento inglês aprovou o Stamp Act, que passou a vigorar em 1 de novembro de 1765, estabelecendo impostos sobre documentos legais, jornais e jogos de cartas na colônia. Franklin se opôs à “noção errônea… de que as colônias estão à disposição do parlamento… a América está sob a posse de um povo livre”. Após avisos de que haveria resistência armada, o Stamp Act foi revogado. O parlamento tentara novamente demonstrar sua supremacia sobre as colônias, mas Franklin conseguiu gerar um consenso.

Na Inglaterra, Franklin conheceu Anthony Benezet, um professor Quaker da Filadélfia, que foi um dos primeiros defensores da libertação dos escravos. Benezet incitou Franklin a condenar o comércio de escravos e, em seguida, ele passou a falar contra o “pestilento e detestável tráfico dos corpos e almas dos homens”. Ele participou da diretoria do Bray Associates, uma organização que fundava escolas para garotos e garotas negras em Newport, Nova York, Filadélfia e Williamsburg.

Chegaram às mãos de Franklin seis cartas explosivas de Thomas Hutchinson, governador de Massachusetts, que escrevera: “é preciso haver fortes restrições à liberdade natural”. Samuel Adams viu as cartas e divulgou-as ao público, gerando um alvoroço. Autoridades do governo britânico botaram a culpam em Franklin e o humilharam em audiências públicas. A experiência pôs fim a seu desejo de conciliação.

Embarcou de volta para os Estados Unidos no dia 21 de março de 1775, pouco depois de saber da morte da sua esposa, que ele não via há onze anos. Enquanto estava no mar, o conflito armado teve início, quando os soldados ingleses atiraram em americanos em Lexington e Concord, em Massachusetts. No dia 6 de maio, o dia seguinte à chegada de Franklin na Filadélfia, o congresso da Pensilvânia o indicou como delegado para o Segundo Congresso Continental que, depois, pediria que ele trabalhasse para garantir os suprimentos para a guerra que viam do estrangeiro. Como o governo não tinha crédito, Franklin adiantou 353 libras em ouro do próprio bolso.

Em outubro de 1775, Franklin conversou com um entusiasmado imigrante inglês que ele conhecera em Londres, e sugeriu que o jovem rapaz escrevesse “uma narrativa sobre as transações atuais”. O jovem rapaz, Thomas Paine, já estava trabalhando nesse projeto, e mostrou a Franklin um rascunho do seu panfleto, Common Sense [“Bom senso”], que, depois de ser publicado em janeiro de 1776, convenceu os americanos a lutarem pela independência.

Em 21 de junho de 1776, Franklin, John Adams, Thomas Jefferson, Robert Livingston (Nova York), e Roger Sherman (Connecticut) foram nomeados para um comitê que produziria uma declaração que anunciaria a independência americana. O comitê pediu que Jefferson redigisse uma primeira versão. Franklin, por sua vez, sugeria várias mudanças. Quando chegou na hora de assinar a declaração, no dia 2 de agosto, John Hancock, o presidente do congresso, observou: “Devemos agir com unanimidade; não podemos cada um tentar seguir nosso caminho; precisamos ficar juntos”. Segundo contam, Franklin teria completado: “Realmente, devemos todos ficar juntos, senão com certeza seremos enforcados separadamente”.

A melhor possibilidade de auxílio era a França que, tendo perdido uma guerra para a Inglaterra, certamente gostaria de ver o Império Britânico dividido. Mas os franceses estavam desconfiados. O rei Luís XVI achava perigoso apoiar uma revolução e os americanos se sentiam incomodados em pedir ajuda a um rei que reivindicava poder absoluto.

Quando perguntaram se Franklin poderia ir para a França, ele apontou para sua gota e outras enfermidades, dizendo: “Sou velho e já não sirvo para nada”. Mas ele concordou, sacou mais de três mil libras do seu banco e as emprestou ao Congresso. Os intelectuais franceses o respeitavam por seus experimentos pioneiros com eletricidade e as pessoas comuns sabiam que seus pára-raios salvavam casas de incêndios. Como John Adams disse: “Não havia camponês, homem da cidade, valet de chambre, cocheiro, criado, dama de companhia ou lavador de pratos que não soubesse quem ele era, e que não o considerasse um amigo da humanidade”.

Em 26 de outubro de 1776, Franklin secretamente deixou a Filadélfia com seus netos, William Temple Franklin e Benjamin Franklin Bache. Eles chegaram em Paris no dia 22 de dezembro e se instalaram em Passy, um chateau da cidade de Chaillot, que ficava a cerca de uma milha de Paris e sete milhas de Versailles. O chateau pertencia a um empreendedor amigo. Franklin descrevia a si próprio como alguém que “se veste de maneira discreta, usando cabelos finos, cinza e lisos,que saem de minha única coiffure, um belo chapéu de pele”. Retratos de Franklin apareciam em pinturas, estampas, gravuras, medalhões, placas comemorativas, anéis, braceletes, maletas e chapéus. Ele escreveu para sua filha, Sally: “Estas pinturas, bustos e gravuras (das quais cópias e mais cópias se espalham por todo lugar), fizeram a face do seu pai tão conhecida quanto a da lua”.

Em certa ocasião, Franklin estava jantando em um restaurante parisiense quando ficou sabendo que Edward Gibbon, o historiador britânico que narrara o declínio e a queda da Roma antiga, também estava lá. Quando Gibbon se recusou a sentar-se com Franklin, um rebelde, Franklin respondeu que, se Gibbon quisesse escrever a história do declínio e queda da Inglaterra, o próprio Franklin lhe forneceria “material de sobra”.

Apesar de toda a perspicácia de Franklin, ele não teria realizado muito sem indícios de que os americanos poderiam vencer a guerra. Washington cuidou disso quando atravessou o Delaware River no natal de 1776, vencendo a batalha de Trenton e capturando novecentos soldados inimigos. Franklin negociou dois tratados com a França, dando importante reconhecimento diplomático à república americana, e organizando uma sucessão de carregamentos para a América que, por incluir as coisas mais básicas, davam uma amostra de quão desesperados estavam os americanos. Uma das cargas, por exemplo, incluía cento e sessenta e quatro canhões de bronze, três mil e seiscentos cobertores, quatro mil tendas, quatro mil dúzias de pares de meia, oito mil setecentos e cinqüenta pares de sapato, onze mil granadas, nove mil quilos de chumbo, setenta e três mil quilos de pólvora, trezentos e setenta e três mil pederneiras, e cinqüenta e quatorze mil balas de mosquete.

Franklin se encarregou de várias outras tarefas. Por exemplo, ele conheceu o capitão naval John Paul Jones, nascido na Escócia, e encorajou seus ousados ataques ao longo da costa inglesa, que afetavam o ânimo dos ingleses. O principal navio de sua frota chamava-se Bonhomme Richard, em homenagem ao Poor Richard do almanaque de Franklin.

A diplomacia de Franklin e o apoio dos franceses ajudaram a garantir a vitória. O valente francês Lafayette ajudou George Washington a encurralar o general Charles Cornwallis em Yorktown, na Virgínia. A frota do almirante francês, François Joseph Paul de Grasse, evitou que os navios ingleses resgatassem Cornwallis e a guerra revolucionária terminou no dia 19 de outubro de 1781.

Franklin realizou maravilhas apesar de Londres saber o que ele estava fazendo. Seu principal assistente em Passy era o Dr. Edward Bancroft, seu amigo, um americano que trabalhava como espião inglês. Jonathan Dull, autor de Franklin the Diplomat [“Franklin, o diplomata”], observou que “a missão americana estava tão cheia de pessoas roubando informações que é surpreendente que elas não esbarrassem uma nas outras”.

O Congresso Continental indicou Franklin para o comitê que negociaria os termos de paz com a Inglaterra. Depois de oito anos e meio, tendo cumprido a missão, ele deixou Paris no dia 12 de julho de 1785. Ele navegou para a América com Jean-Antoine Houdon, o escultor que produzira o nobre busto de Franklin e que o ajudaria a imortalizar Jefferson, Lafayette e Washington.

Logo depois de voltar para casa, Franklin declarou: “Agora estou livre da política pelo resto dos meus dias”. Mas, aos oitenta anos de idade, ele se juntou à delegação da Filadélfia para a Convenção Constitucional, que se reuniu em maio de 1787 no Independence Hall da Filadélfia, onde o Segundo Congresso Continental se reunira e onde a Declaração da Independência fora assinada. Parecia que a convenção entraria em colapso por causa dos conflitos entre os pequenos e grandes estados sobre como eles deveriam ser representados. Franklin recomendou que fossem criado dois corpos legislativos – um idéia também sugerida por outros – porque isso tornaria possível um equilíbrio: os estados seriam representados igualmente em um corpo legislativo (o senado) e representados de acordo com sua população no outro (a câmara legislativa). Esse “grande consenso” assegurou que os pequenos estados e seus interesses fossem protegidos, tornando-os mais dispostos a ceder em outras questões, o que ajudou as deliberações a prosseguirem. Finalmente, Franklin propôs a moção para a adoção da Constituição. Ele observou que parecia que a nova Constituição iria durar, mas “nada é certo nesse mundo, exceto a morte e os impostos”.

No final de 1787, Franklin sofreu uma séria queda da escada que levava ao seu jardim, e passou também a sofrer dores excruciantes por causa de uma pedra nos rins. Escreveu seu testamento e retomou o trabalho em sua autobiografia, que começara ainda em 1771, quando estava em Londres. Assim que a Revolução Francesa explodiu do outro lado do Atlântico, Franklin escreveu para seu amigo, David Hartley, “Deus faça que não apenas o amor pela liberdade mas também o entendimento dos direitos do homem possam se expandir por todas as nações da terra, de modo que um filósofo possa colocar os pés em qualquer lugar de sua superfície e dizer ‘este é meu país’”.

Em março de 1790, Thomas Jefferson o visitou e e depois relatou: “encontrei-o na cama, onde ele permanece quase constantemente. Esteve sem dor por alguns dias, e estava animado e de bom humor… Insisti que ele continuasse o relato de sua vida”. A última carta que Franklin escreveu, nove dias antes da sua morte, no dia 17 de abril, foi para Jefferson. Franklin estava com febre e reclamava de dores no lado esquerdo do seu peito. Então, um abscesso em seu pulmão estourou e respirar se tornou cada vez mais difícil. Ele morreu no dia 17 de abril, a cerca de onze horas da noite, aos oitenta e quatro anos de idade. Quatro dias depois, um procissão para seu funeral saiu do Independence Hall e foi até o cemitério da Christ Church. Cerca de vinte mil pessoas foram demonstrar seu respeito. Ele tinha escrito seu irônico epitáfio muito tempo atrás: “B. Franklin, editor, como a capa de um livro velho, com seu conteúdo destroçado, com as letras e decorações gastas, aqui jaz, comida para vermes. Mas o trabalho não está perdido, pois ele irá – nisso ele acreditava – aparecer novamente. Em uma nova e aprimorada edição, corrigida e modificada pelo Autor”.

A primeira parte da Autobiography de Franklin, em uma versão francesa pirateada, foi publicada em 1791. Então vieram duas edições inglesas e quatorze reimpressões antes de 1800. As obras selecionadas de Franklin, incluindo sua autobiografia, só foram publicadas em 1817, por causa de atrasos de William Temple Franklin, que herdara os manuscritos do seu avô. Os manuscritos restantes de Franklin foram guardados em um estábulo e depois foram finalmente recuperados pela American Philosophical Society.

Sua autobiografia traz muito erros factuais, por Franklin ter relatado os eventos muitos anos depois deles terem acontecido; a história só foi até 1760; e Franklin revelou muito pouco de seus sentimentos. Mas o livro atraía as pessoas porque estava escrito de forma clara, narrava tanto seus fracassos quanto seus sucessos, e indentificava os princípios para a construção de uma personalidade forte. Frankiln, observou o historiador americano Cark Becker, foi “um verdadeiro filho do iluminismo… sua paixão pela liberdade e suas simpatias humanitárias… sua profunda fé no bom senso, na eficácia da razão para a solução dos problemas humanos e aperfeiçoamentos do bem estar social”.

O poeta alemão Johann Wolfgang von Goethe organizou um “Friday Club”, seguindo o modelo do “Junto” de Franklin. Franklin inspirou Simón Bolívar e José de San Martín, que ajudaram a América Latina a alcançar a independência. No Japão, o autor Fukuzawa Yukichi promoveu os princípios de Franklin e inspirou empreendedores. Gaspero Barbera, pintor florentino, publicou uma tradução italiana explicando que “aos trinta e cinco anos de idade eu era um homem desorientado….Eu lia repetidamente a autobiografia de Franklin e ficava cada vez mais entusiasmado com suas idéias e princípios a tal ponto que a estes atribuo minha regeneração moral… Agora, ao cinqüenta e um anos de idade, estou saudável, entusiasmado e rico”.

Durante o auge do individualismo americano, a história de Franklin foi usaada por educadores cujos livros venderam dezenas de milhões de cópias. Por exemplo: partindo da sua autobiografia, Noah Webster incluiu um relato de onze páginas da sua vida em seu Biography for the Use of Schools (1830) [“Biografia para o uso das escolas”], Peter Parley escreveu Life of Benjamin Franklin (1932) [“A vida de Benjamin Franklin”] e William Holmes McGuffey incluiu trechos de sua autobiografia no seu enormemente popular Readers [“Leituras”].

Por volta de 1859, a autobiografia de Benjamin Franklin já tinha sido reimpressa quase mil vezes e, entre 1860 e 1890, acredita-se que Franklin foi o tema mais popular entre biógrafos americanos. Sua autobiografia inspirou James Harper a deixar sua fazenda em Long Island e lançar o que se tornaria uma das mais maiores editores, hoje chamada HarperCollins; Thomas Mellon foi inspirado a desistir da agricultara e se tornar banqueiro, criando uma fortuna para sua família. O livro também inspirou o magnata do aço, Andrew Carnegie. Jared Sparks, presidente da Harvard University, contou que esse livrou lhe “ensinou que as circustâncias não possuem um poder soberano sobre a mente”. Bancos de poupança por todo o país receberam o nome de Franklin. Ao todo, de acordo com o historiador americano Clinton Rossiter, a autobiografia de Franklin foi “traduzida e retraduzida para uma dúzia de línguas, impressa e reimpressa em centenas de edições, lida e relida por milhões de pessoas… A influência dessas poucas centenas de páginas não pode ser comparada a nenhum outro livro americano”.

Na medida em que o individualismo saiu de moda, os intelectuais passaram a menosprezar a responsabilidade e o auto-aperfeiçoamento. Em 1923, por exemplo, o romancista D. H. Lawrence ridicularizou Franklin por parecer valorizar a razão em detrimento da emoção. Em décadas recentes, algumas professores declararam que sua autobiografia era uma pose elaborada que ocultava seu “lado negro”.

Mas ninguém nega as realizações extraordinárias de Franklin. Foi um campeão da responsabilidade pessoal, da curiosidade intelectual, da honestidade, da persistência e da ponderação – princípios que ajudaram as pessoas de todo lugar a subirem ao topo. Nutriu um cultura empreendedora que cria oportunidades e esperança através da cooperação pacífica. Ele afirmou que melhorando a si próprio e ajudando os vizinhos, você pode levar uma sociedade livre ao sucesso. A mais gloriosa de suas invenções foi o sonho americano.

Escrito por Jim Powell

Poesia de Terça feira Insana!

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A janela é bonita,
O rapaz é legal,
A vida é muito bela,
To com coceira no meu pé.

Se a verdade fosse nua,
A falsidade bem vestida
Eu comeria carne crua,
Tenho um calo no meu pé.

São Paulo chove muito,
Ceará não chove nada,
0800 significa gratuito,
É um cravo no meu pé!

A polícia é algo BOM!
O bandido é algo MAU!
Me pergunto porque em plástico vem sorvete de BOMBOM!
E o picolé vem no PAU!

Queria morar na lua

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É uma sensação diferente, algo inusitado. Não chega a ser sobrenatural, mas o que vem a ser sobrenatural? O mundo é algo insano, inconsciente às vezes, caloroso e totalmente faminto por idéias e inovações. É algo surreal pensar que fazemos parte de uma comunidade que visa o crescimento em todos os sentidos do ser. Pois bem, não é nada fácil ter que acordar cedo, ir ao trabalho(obrigação) para ter de onde tirar a renda que lhe sustenta. O que, na verdade é uma utopia de tudo que lhe rodeia.

Gastamos com o que não é necessário, gastamos com o que é vazio apenas para suprir uma necessidade inexistente que o nosso subconsciente, por algum motivo ordinário, nos deu esta escolha. Escolha pela qual achamos que é feita pelo “destino”. Destino que, na maioria das vezes e em diversas culturas é escrito por mãos “divinas”. Mas há culturas que associam o destino ao acaso, um mito.

Certa vez me disseram que há tempo para tudo abaixo dos céus. Pois bem, o tempo, se analisarmos de forma cronológica é algo limitado, veja porque. Se pararmos para pensar no que realmente gastamos do tempo em nossas vidas, você vai perceber que não viveu o suficiente em um dia. Você trabalha 1/3 do dia, dorme mais 1/3 e ainda lhe sobram 1/3 para fazer o restante de tudo que você “ACHA” que dá tempo de fazer. E, como de praxe do ser humano, 90% usa esse tempo pra não fazer nada. Pense bem, você tem apenas 8 horas por dia pra desfrutar de algo benéfico. E tem pessoas que não sabem o que isso significa. Pense bem antes de gastar seus minutos com algo fútil e imoral. O tempo acaba para todos, de uma vez ou de outra.

Às vezes me vejo olhando para o céu, contemplando milhares de estrelas que nunca vi. Uma vez ou outra eu assisto um filme, jogo um videogame, faço academia, converso com ET’s, vou ao supermercado, visto uma sunga, cago, ando de bicicleta, vou à festa, escovo os dentes, calço meias de cor diferente, compro um Burguer king, converso com ET’s novamente e tento sentir a presença de Deus, o que nas milhares de vezes é extraordinário.

Queria morar na lua, só precisaria de um frigobar, muita cerveja, internet e uma cadeira, pra contemplar esse planeta cheio de gente imbecil e arrogante que não sabe NADA sobre o que é viver. Só pra poder sentir, mais uma vez, o que é solidão.

Viaje na minha MATRIX!

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O desenvolvimento da técnica na sociedade do capital tende a aparecer como desenvolvimento tecnológico, com objetos complexos assumindo formas estranhadas, que sob certas circunstâncias sócio-históricas podem assumir alto potencial destrutivo. Na medida em que se amplia, o fetichismo da mercadoria imprime sua marca indelével na sociabilidade humana, constituindo formas complexas de fetichismo social, criando a aparência de uma tecnologia onipotente e malévola. O fetiche da técnica através dos objetos tecnológicos tendem a ocultar a verdadeira dominação do capital como relação social a serviço da reprodução hermafrodita da riqueza abstrata. Na medida em que a tecnologia assume novas formas materiais, instaurando novas técnicas de virtualização de base bio-informática de intenso cariz manipulatório, tal fetichismo da técnica alcança maior intensidade e amplitude, principalmente no plano do imaginário social. O problema da tecnologia é o problema do controle social capaz de abolir o fetichismo da matrix tecnológica. Na medida em que tais contradições do capital se acirram, explicita-se a necessidade do controle social dos objetos tecnológicos complexos, sob pena do aprofundamento da barbárie social, tendo em vista que eles são utilizados, em si e para si, como nexus de intensificação da manipulação e da produção destrutiva do capital.

 

Snowden deve seguir para a Venezuela, diz jornalista dos EUA no Brasil


ENTREVISTA-Snowden deve seguir para a Venezuela, diz jornalista dos EUA no Brasil

Por Paulo Prada

RIO DE JANEIRO, 10 Jul (Reuters) – O norte-americano Edward Snowden, responsável por denunciar os programas secretos de espionagem telefônica e digital dos EUA, provavelmente aceitará asilo na Venezuela para escapar à perseguição judicial em seu país de origem, segundo Glenn Greenwald, jornalista norte-americano radicado no Rio, o primeiro a divulgar as informações vazadas por Snowden.

Em entrevista concedida imediatamente depois de conversar com Snowden por meio debate-papo na Internet, na terça-feira, Greenwald disse que, dos três países latino-americanos que já ofereceram asilo a Snowden, a Venezuela é o que tem mais condições de garantir sua segurança.

Snowden está refugiado há vários dias na área de trânsito de um aeroporto em Moscou, e os EUA pressionam governos a não lhe conceder asilo. Washington quer que Snowden, ex-prestador de serviços na Agência de Segurança Nacional (NSA), responda judicialmente pelas acusações de colocar em risco a segurança do seu país.

Nicarágua e Bolívia também já disseram que aceitariam Snowden, mas Greenwald acha que a Venezuela “tem mais condições de retirá-lo em segurança de Moscou para a América Latina e protegê-lo uma vez que esteja lá”.

“É um país maior, um país mais forte, e um país mais rico, com mais influência nos assuntos internacionais”, afirmou o jornalista. Ele acha, no entanto, que o desfecho para a crise ainda não está claro, e pode levar “dias, horas ou semanas”.

Greenwald, blogueiro e jornalista do jornal britânico The Guardian, disse que baseia essa opinião em um “palpite com base em infomações”, depois de recentes contatos com Snowden.

Essas conversas, afirmou, também o levaram a crer que os documentos retiradas por Snowden da NSA continuam a salvo de qualquer governo estrangeiro.

Greenwald vive no Rio, para onde voltou em junho depois de se encontrar com Snowden em Hong Kong. O denunciante havia fugido para lá antes de começar revelar que os EUA espionavam os contatos telefônicos e digitais de milhões de pessoas no país. Depois disso, veio à tona também que Washington espionaria telecomunicações da Europa, do Brasil e de outros lugares.

Greenwald disse que chegou a perder contato com Snowden quando ele viajou de Hong Kong para a Rússia, fugindo da perseguição judicial dos EUA. No sábado, no entanto, o jornalista conseguiu contato com sua fonte por meio de um chat codificado que os dois costumam usar.

Desde então, Snowden vem lhe explicando suas opções, mas sem indicar quando pretende viajar. Sem visto e sem passaporte válido, Snowden não pode passar pelo guichê da imigração, e por isso permanece num território neutro na área de trânsito do aeroporto russo -onde, no entanto, conseguiu acesso à Internet. “Ele não está sob custódia ou detenção de ninguém, nem nunca esteve”, disse Greenwald.

O desafio de Snowden agora, acrescentou o jornalista, é “descobrir como chegar ao país que lhe ofereça asilo”, driblando os esforços de captura dos EUA -que Greenwald descreve como “o império trapaceiro e sem lei, que se prova desesperado na tentativa de adotar um comportamento desonesto para impedi-lo fisicamente de chegar lá”.

Ele negou que a China e a Rússia tenham aproveitado a presença de Snowden nas últimas semanas para se apropriar de informações estratégicas. Há relatos de que Snowden, de 30 anos, viaja com vários laptops, mas Greenwald disse que o rapaz não seria ingênuo a ponto de armazenar informações em meios facilmente confiscáveis.

“Há todo tipo de maneira mais inteligente e mais segura para alguém que saiba o que está fazendo -e ele sabe o que está fazendo- armazene e transporte grandes volumes de dados.”

Greenwald também está sob pressão ao filtrar mais de 5.000 documentos -uma pequena parte do acervo completo- entregues a ele por Snowden. O jornalista disse que também já pode ser alvo de serviços de inteligência.

Ele contou que, no período em que esteve em Hong Kong, avisou numa ligação via Internet ao seu companheiro, um estudante de comunicações brasileiro, que lhe enviaria alguns documentos por email. Dois dias depois, contou Greenwald, o laptop do companheiro sumiu da casa em que os dois moram no Rio.

Nos próximos meses, Greenwald espera apurar e publicar reportagens mostrando como a NSA recolhe dados e interage com outras agências de inteligência e com empresas de telecomunicações e informática. O jornalista disse que há anos tenta chamar a atenção para os métodos de espionagem dos EUA.

“Estou tentando fazer tudo o que for possível para expor os excesso da NSA e os perigos do sigilo extremo por trás do qual o governo dos EUA opera”, afirmou.

“Então, basicamente receber milhares de documentos ultrassecretos que provam todas as coisas que estou dizendo… e muito mais… é muito revigorante.”