O acaso não existe.

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O Universo em que vivemos funciona de maneira misteriosa. Há um caos nas complexidades do seu funcionamento e, no entanto, tudo está equilibrado. Pode-se dizer com razão que nada neste Universo acontece por acaso.

Mesmo os incidentes mais insignificantes acontecem conforme planejado e servem para um propósito maior. Tudo o que acontece é uma manifestação do cosmos. Nossa jornada na vida não é um passeio suave. Há altos e baixos. Algumas estradas são difíceis e outras não são. A vida é um mistério onde todas as experiências possuem igual importância e valor. Temos a sorte de que o Universo acompanhe nossa jornada. Ao longo desta jornada, conhecemos pessoas diferentes que desempenham diferentes papéis e servem para diferentes fins. Alguns nos ensinam certas lições de vida, enquanto outras não nos deixam um impacto duradouro.

Algumas pessoas devem permanecer conosco para sempre, enquanto outras pessoas não. Mas mesmo as pessoas que conhecemos não é por acaso!

Estes são os 5 tipos de conexões cósmicas que provavelmente encontraremos em nossa jornada:

1. Aqueles destinados a nos despertar.

Há momentos em nossas vidas em que encontramos pessoas que são agentes de mudança. Elas caminham por nossas vidas para iniciar direta ou indiretamente algumas mudanças. Apenas a presença dessas pessoas nos faz conscientes de que não podemos avançar na vida, a menos que efetuemos certas mudanças. O universo tem suas maneiras de resolver essas coisas. Essas pessoas vão despertar seu potencial inativo interno que teria ficado adormecido se você permanecesse preso.

2. Aqueles que nos lembram

Às vezes, na vida, encontramos pessoas que passam somente para nos lembrar dos nossos objetivos. O único propósito de tais interações é nos ajudar a permanecer focados em nosso caminho na vida. Essas pessoas nos lembram quem somos e o que realmente queríamos desde o início.

3. Aqueles que nos ajudam a crescer

Algumas pessoas nos ajudam a crescer como pessoa. Elas estão ao nosso lado como um guia em nossa jornada pela vida. Eles podem nos prejudicar ou nos convidar para uma aventura para enfrentar algum desafio. Elas nos mostram o nosso caminho quando parecemos não saber o caminho certo. Elas nos ensinam coisas que somos incapazes de aprender por nós mesmos. Essas pessoas nos forçam a crescer.

4. Aqueles que nos reservam espaço.

Algumas pessoas desempenham papéis tão insignificantes em nossas vidas que nem nos lembramos de seus nomes. Estas são, principalmente, pessoas que encontramos no metrô ou nas estradas ou em uma casa de café. Elas são simplesmente destinadas a manter um espaço para nós. Geralmente, são pessoas com as quais conversamos e não temos conexão nenhuma além disso. Essas pessoas são seus companheiros que o cumprimentam na sua jornada, ou mesmo são fãs da alma pessoal que, inconscientemente, torcem pelo seu bem !

5. Aqueles que ficam.

Apenas algumas pessoas ficarão conosco para sempre. Essas pessoas são raras de encontrar, mas certamente são as mais preciosas. Eles são nossos amigos íntimos e a nossa família imediata. A maioria deles é membro do nosso grupo de almas, alguns deles podem até ser nossas almas gêmeas. Essas pessoas são seus parceiros que compartilham a mesma missão ou uma missão realmente similar. Mas quando for a hora certa, o Universo nos enviará aquela pessoa que deve estar conosco para sempre. Esta pessoa é de outro grupo de alma e vem por conta própria.
A presença dessa pessoa na nossa vida faz com que tudo fique melhor. Nós apenas precisamos ser pacientes em nossas tentativas de encontrá-las. Mas, uma vez que os encontramos, elas devem permanecer. Eles são sua Chama Gêmea e a força magnética dentro de suas almas irá guiar um ao outro. Tudo o que você precisa fazer é ouvir a bússola do seu coração!

 

Por :  Dejan Davcevski 
Autor convidado / Inspirado em  Educate Inspire Change

“A Grande Sabotagem Reptiliana”

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Ao contrário do que nos explica o autor inglês David Icke no trecho abaixo, Vitzo, de Urano, nos informa e afirma que os Anunnakis não eram reptilianos.Ao contrário, eles se esconderam até que os gigantes tivessem ido embora. Veja, antes, este trecho do livro de Icke, “O Maior Segredo: 


“Eu não penso que os Anunnaki dos Tabletes Sumérios e os Marcianos brancos propostos no cenário de Brian Desborough são os mesmos povos, apesar de poder existir uma conexão genética entre eles. Juntando a massa de evidências, visões, pesquisa e opiniões, que eu tenho lido ou escutado quase todos os dias nesses últimos anos, eu sinto que os Anunnaki são uma raça de uma espécie genética reptiliana. Na pesquisa ufológica eles tornaram-se conhecidos como reptilianos. Nem eu estou sozinho com esta visão. Pessoalmente eu tenho estado espantado por quantas pessoas hoje estão abertas a essas possibilidades e, certamente, estão chegando às mesmas conclusões através de suas próprias pesquisas. Entre esses incluem-se muitos que iriam gargalhar dessa idéia há pouco tempo atrás. O Dr. Arthur David Horn, um ex-professor de antropologia biológica da Universidade Estadual do Colorado em Fort Collins, inicialmente acreditava enfaticamente na versão Darwinista da evolução humana, o desenvolvimento lento da espécie humana via princípio da sobrevivência do mais adaptado. Puramente sob o peso de evidência e de sua própria experiência, ele está agora convencido que a humanidade foi semeada por extraterrestres e que uma raça reptiliana controlou o planeta por milhares de anos e continua a fazer isso hoje em dia.” 
 
O parecer de Vitzo em ” 
A Grande Sabotagem Reptiliana“, nos leva mais em contato com as pesquisas de Zecharia Sitchin, falecido recentemente. Ele acreditava que os  Anunnaki criaram o homo sapiens, cruzando seus genes com os do Homo erectus, para usá-lo como escravo para a extração de matérias-primas,como o ouro, que eram necessárias para proteger a atmosfera de seu próprio planeta Nibiru.Sitchin_olmecsGiantHead

Leia agora este pequeno trecho de “A Grande Sabotagem Reptiliana”

“Os seres chamados de Anunnakis por vocês não são bem o que se considera como reptilianos. Os Anunakis são seres da mesma galáxia que vocês habitam. Eles trouxeram outros conhecimentos para os humanos que aqui habitavam. Eram deuses, mas não reptilianos. Os reptilianos estavam aqui muito antes deles chegarem, mas ocultaram seu conhecimento até que a grande leva de deuses fosse embora novamente. Os Anunnakis são os responsáveis pela raça que originou o poderio egípcio naquela região. Foram eles que implantaram os costumes entre homens e deuses em uma região onde a carne não era valorizada e sim o espírito, a alma que transcendia os tempos e por isso, os humanos embalsamavam seus mentores sacerdotais para que nunca morressem na Terra e nos céus. Os Anunnakis eram gigantes de 30 a 40 metros de altura e o povo réptil “esqueceu-se convenientemente” de juntar-se para ofuscar a presença alienígena que trouxera progresso para toda aquela região. Eles esperaram que fossem embora para depois iniciar sua busca pelo ouro descoberto. O ouro do conhecimento que tornou a civilização egípcia tão poderosa em tão pouco tempo. A civilização egípcia foi atacada posteriormente pelo estado reptiliano, quando se envolveram sutilmente em suas tropas e entre seus faraós. O mal novamente foi contagiando as estruturas egípcias, traduzindo o que de pior eles conheciam para atrasar novamente a evolução humana. Fogo, morte e destruição estagnaram e destruíram a civilização que durante mais de mil anos reinou sobre a Terra reptiliana. O que podemos dizer depois disso, é que eles, os reptilianos, cresceram novamente, porque seus sistemas de destruição expandiam-se rapidamente por todo Oriente e África, sem que fossem notados pelos mais desatentos. Outros impérios viriam depois dali, mas eles já sabiam como lidar e corromper a raça humana.” 

Sol se pôs

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Hoje o sol se pôs, deixou a noite tomar conta do ambiente. Apenas uma luz, bem no fundo do túnel, longínqua e embaçada pairava sobre aquela estrada. Hoje o sol se pôs, mais uma vez, calado, tímido e ameaçador.

O vazio ocupou mais um lugar naquele pequeno ser, outra sala de sua mente foi liberada, há apenas o vácuo agora. O vazio, o silêncio, a nostalgia não existe mais.

E assim, vagando pelos tropeços que oscilam em uma direção, pode ser qualquer uma, alienado, ríspido e soberbo. Esse é ele, alimentando rancor e ódio, vivendo de passado, amargurando o futuro.

Este é ela, buscando encontrá-lo nesse devaneio, ascendendo todas as luzes em seu caminho, deixando um rastro de oportunidade e liberdade, só basta ele querer, ele poder sentir, enquanto ela continua buscando-o intermitentemente.

Isto é um conflito, quando você expande a mente e, começa a ver com outros olhos o que não era visto, ou sentir o que não era sentido, quando tenta se tornar água. Água é limpa, pura, transparente, mas para isto, ela precisou ser purificada, tratada. E o caminho é esse, atravessar a peneira e vê o que sobra do outro lado.

 

O que já fiz

dd.jpgJá acreditei em amores perfeitos,
Já descobri que eles não existem…
Já amei pessoas que me decepcionaram,
Já decepcionei pessoas que me amaram…
Já passei horas na frente do espelho
Tentando descobrir quem sou,
Já tive tanta certeza de mim,
Ao ponto de querer sumir…
Já menti e me arrependi depois,
Já falei a verdade
E também me arrependi…
Já sorri chorando lágrimas de tristeza,
Já chorei de tanto rir…
Já acreditei em pessoas que não valiam a pena,
Já deixei de acreditar nas que realmente valiam…
Já tive crises de riso quando não podia…
Muitas vezes deixei de falar o que penso para agradar uns,
Outras vezes falei o que não pensava para magoar outros…
Já senti muita falta de alguém,
Já gritei quando deveria calar,
Já calei quando deveria gritar…
Já penas para ver um amigo mais feliz…
Já inventei histórias de final feliz
Para dar esperança a quem precisava…
Já sonhei demais,
Ao ponto de confundir com a realidade…
Já tive medo do escuro,
Hoje no escuro “consigo ver a luz dentro de mim”…
Já caí inúmeras vezes
Achando que não iria me reerguer,
Já me reergui inúmeras vezes
Achando que não cairia mais…
Já corri atrás de um carro,
Por ele levar alguém que eu amava embora.
Já chamei pelo pai no meio da noite
Fugindo de um pesadelo,
Mas ela não apareceu
E foi um pesadelo maior ainda…
Já chamei pessoas próximas de “amigo”
E descobri que não eram;
Algumas pessoas nunca precisei chamar de nada
E sempre foram e serão especiais para mim…
Não me dêem formulas certas,
Porque eu não espero acertar sempre…
Não espere de mim nada pois sou livre para ser eu mesma.
Porque vou seguir meu coração!…
Não sei amar pela metade,amo a todos igualmente e intensamente.
Não sei viver de mentiras,não espere que eu minta,não aceito mentiras.
Sou sempre eu mesmo.

Prisioneiros internos

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Podemos confiar em nós mesmos? Ou devemos deixar os demônios internos se enfrentarem até que sobre somente os mais fortes?
A loucura baseia-se na amplitude da insanidade ou na ausência de insensatez? Bendito àquele que conhece suas verdades e trabalha para ultrapassar suas barreiras.

VIVA DE ACORDO COM AS SUAS ESCOLHAS E NÃO COM AS DOS OUTROS

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Era uma vez uma menina que tinha tudo para ser feliz. E ela foi. Até que um dia percebeu que aquela felicidade toda não a pertencia, que era o contentamento de outras pessoas projetado nela, assim como as expectativas e os desejos alheios que nela refletiam, mas que não brotavam do seu interior. Então, numa noite de inverno ela partiu com uma mala e poucos pertences. Levava consigo o que tinha de mais valioso: o seu coração, uns trocados de paz e um sonho de liberdade. Arrastou a bagagem junto com a responsabilidade pela desventura que causaria aos seus dominadores, e ao mesmo tempo, com a leveza de quem, por fim, encontrava o seu próprio caminho.

Escolhas e mais escolhas. Quando não as fazemos, alguém faz por nós, e só nos resta aceitar e interpretar o papel que nos foi dado. Apesar de tudo, a esperança é a nossa fiel companheira e com ela sempre haverá um tempo de parar o jogo, mudar de time, abandonar a partida, descansar ou recomeçar.

As vezes estamos tão imersos numa vida contida, designados diante de uma rotina sóbria, que não percebemos o tamanho do incômodo. Notamos o rombo somente quando o tiro se alastra e nossos pedaços vão ficando pela estrada. Nos tornamos pessoas esburacadas, dessas que a tristeza vai corroendo pouco a pouco, impedindo que a alegria se instale e tampe os furos. Porque mesmo que nos emprestem felicidade, de nada adianta se ela não vir de dentro. Somente quando brota de nós ela é capaz de fechar os buracos da sorte ilusória.

Para que a felicidade nasça no peito é preciso libertar-se do peso que se carrega para agradar os outros, jogar fora os personagens que foram criados para somente dizer sim, abrir mão da cordialidade forçada e da aceitação sem questionamento. Seremos ininterruptamente tristes enquanto não houver uma quebra do comportamento passivo.

Eu sei que é bem comum nos deixar levar pelas situações sem medir os riscos e as consequências que as nossas eleições podem causar. Existem momentos que somos honestamente felizes, desejamos com todo o nosso coração seguir determinado caminho. Até que as certezas começam a embaralhar e a vida se consuma em uma enxurrada de lamúrias, pesares e arrependimentos. Neste momento você se dá conta de que está cumprindo um papel para que outros estejam contentes, enquanto você se priva da própria glória, se mutila em frustrações, se afunda na sensação de incapacidade para dar um basta, virar a página, mudar o rumo.

O fato é que das mais banais às mais complexas, todas as rotas têm as suas flores e os seus espinhos. Cabe à nós termos força suficiente para desencravar os ferrões, mesmo sentindo dor, e seguir adiante. Seja no solo quente ou em águas geladas, o importante é abandonar o padecimento e buscar outra saída antes que o fel nos sorva.

Mas e aquela menina, o que aconteceu com ela? Ah, ela ousou encontrar a satisfação nos altos e baixos que a nova vida possibilitava. Com menos dinheiro e mais autonomia, poucas cobranças e muita coragem, com escassez de pressão e sem depreciação, com excesso de perseverança e dignidade. Assim, já sem reproches e pessoas que a tolhessem das suas capacidades e desejos, ela conheceu a felicidade genuína na grandeza do amor próprio, na enormidade dos poucos e verdadeiros amigos. Descobriu que tudo o que tinha de nada valia, que nessa vida só é possível ser feliz quando seguimos o coração.

Por Karen Curi(colunistas)

Zygmunt Bauman

zygmunt-bauman-vivemos-tempos-liquidos-nada-e-para-durar.html‘Três décadas de orgia consumista resultaram em uma sensação de urgência sem fim’

Zygmunt Bauman presenciou os principais acontecimentos do século 20 e na virada do milênio criou uma teoria que levaria seu nome para além do campo da sociologia e o tornaria um escritor best-seller – sobre a liquidez da sociedade, das relações, do nosso tempo. Um dos principais pensadores da modernidade, este polonês prestes a completar 91 anos não perde um debate, e tudo que o inquieta é transformado em livro. Fecundo autor, já escreveu cerca de 70 títulos – entre os mais de 30 publicados no Brasil, todos pela Zahar, estão Modernidade Líquida, Amor Líquido e o mais recente A Riqueza de Poucos Beneficia Todos Nós? Ele está lançando agora Babel – Entre a Incerteza e a Esperança, mas, nesta entrevista concedida ao Aliás, já anuncia uma nova obra para 2017, Retrotopia, e comenta sobre Strangers at Our Door, de 2016 e ainda inédito aqui.

Babel fala do interregno – termo usado por Bauman e pelo jornalista Ezio Mauro, seu interlocutor na obra – em que estamos vivendo. Um tempo entre o que não existe mais e o que não existe ainda. De incertezas e instabilidade. Para eles, não há, no momento, movimento político que ajude a minar o velho mundo e esteja preparado para herdá-lo. Um período em que testemunhamos uma guinada conservadora geral, a instalação do medo devido a ameaças terroristas constantes – a ponto de um grupo de espanhóis confundir uma flashmob com um ataque e entrar em pânico – e as crises diversas – econômica, política, migratória, e, sobretudo da democracia que, depois de muito esforço para derrotar ditaduras, ainda precisa lutar diariamente por sua supremacia e para provar sua legitimidade, como apontam os autores. A seguir, trechos da entrevista de Bauman, professor emérito das universidades de Varsóvia e de Leeds.

Quando o sr. criou o conceito de modernidade líquida, vivíamos tempos melhores ou piores? O conceito ainda se aplica hoje ou já caminhamos para um outro tempo? Que interregno é esse que estamos vivendo e o que acontece depois?

Como medir a relativa excelência do nosso estilo de vida? Em que aspectos, por quais critérios? E quem são os “nós” cuja vida queremos analisar? Entre os diferentes setores da sociedade nem o ritmo e nem as direções tomadas são coordenadas (pense no fabuloso crescimento da renda e da riqueza dos 1% que estão no topo da hierarquia social frente à estagnação ou mesmo piora do nível de vida dos restantes 99%, e a outrora confiante classe média se juntando ao ‘proletariado’ ortodoxo para formar uma nova categoria, do ‘precariado’ – notória pela posição social frágil e suas perspectivas indefinidas). No geral, podemos dizer que 15 anos depois da publicação de Modernidade Líquida, a nova era, ainda incipiente e pouco percebida em meio a 30 anos de orgia consumista, de gastar dinheiro não ganho e de viver o pouco tempo que resta em novos bairros já moribundos está chegando à sua total fruição: estamos vivendo à sombra de suas consequências. E isso significa incerteza existencial, medo do futuro, uma perpétua ansiedade e uma sensação de urgência sem fim, com a primeira geração do pós-guerra sentindo a queda do nível de bem-estar social conseguido por seus pais e, na vida pública, a perda total de confiança na capacidade dos governos cumprirem suas promessas e o dever de proteger os direitos dos cidadãos e atender aos seus interesses. O fim desta confiança engendra, por outro lado, um ambiente em que ‘ninguém assume o controle’, em que os assuntos do estado e seus sujeitos estão em queda livre, e prever com alguma certeza que caminho seguir, sem falar em controlar o curso dos acontecimentos, transcende a capacidade humana individual e coletiva. O ‘interregno’ significa que velhas maneiras de agir não dão mais resultado, contudo, as novas ainda precisam ser encontradas ou inventadas. Ou: tudo pode acontecer, mas nada pode ser feito e visto com certeza.

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De repente, parece que o mundo virou de ponta-cabeça: ameaças terroristas, crises econômicas, sociais e migratórias – e uma guinada conservadora está em curso. Como chegamos até aqui? Isso foi uma surpresa? 

A probabilidade dos fenômenos que você mencionou foi sugerida – na verdade, inferida – pelos sintomas que se acumulam da cada vez mais ampla separação, beirando o divórcio, do poder (ou seja, a capacidade de realizar as coisas) e da política (a capacidade de decidir quais coisas necessitam ser feitas). Essas duas condições indispensáveis para uma ação efetiva até mais ou menos 50 anos atrás caminhavam de mãos dadas no Estado-nação, mas se separaram e seguiram destinos diferentes: enquanto o poder em grande medida ficou ‘globalizado’ – e se tornou ‘extraterritorial’, livre de controles, direção e orientação por instituições políticas – a política permaneceu como antes, local, confinada ao território do Estado e impotente diante da influência importante dos poderes que não se submetem a controles e que são os que importam na escala global. Hoje, os poderes emancipados do monitoramento e da supervisão política enfrentam políticos pé no chão e sofrendo o contínuo, e até agora incurável, déficit de poder. Vivemos uma crise institucional permanente. Os instrumentos de ação coletiva herdados dos nossos ancestrais e cujo fim foi servir à causa da independência de estados territorialmente soberanos não são mais adequados nesta situação de interdependência mundial criada pela globalização do poder.

A atual crise da democracia, e, portanto, a crise das instituições democráticas, como o sr. coloca, são importantes tópicos de ‘Babel’. O senhor diz que os governos democráticos são instáveis porque tudo está fora de controle, e que a democracia não é autossuficiente. Qual é a real ameaça que enfrentamos? E qual é a origem desta crise?

Uma advertência: ‘crise de democracia’ é uma abreviação, uma noção limitada. Em países com constituições democráticas, a crise de um Estado-nação territorialmente confinado é culpa (afirmação fácil, mas não muito competente) de seus órgãos e características definidos constitucionalmente, com a divisão de poderes, liberdade de expressão, equilíbrio de poderes, direitos das minorias, para citar alguns. Mas se a democracia está ‘em crise’ é porque o Estado-nação territorialmente soberano (concebido em 1648 pelo Tratado de Westfalia e cuja fórmula é cuius regio eius religio – os súditos obedecem ao governante) está em crise, incapaz de atacar e enfrentar, sem falar em solucionar, problemas gerados pela nova interdependência da humanidade. Houvesse um governo autoritário ou ditatorial substituindo um regime democrático, os órgãos políticos resultantes não estariam livres da fragilidade dos órgãos de governos democráticos que ele substituiu e pela qual a democracia hoje é acusada. Quero acrescentar que o veredicto atribuído a Winston Churchill (“democracia é o pior dos sistemas políticos, à exceção de todos os outros”) continua verdadeiro até hoje. Para não dar confusão, acho que é aconselhável evitar atribuir responsabilidades pela impotência observada hoje dos Estados territorialmente soberanos e, em vez disso, analisar a incongruência fundamental do nosso tempo ansiando por uma revisão radical das ideias e uma reformulação das formas de coabitação da humanidade na Terra. Segundo Ulrich Beck, essa incongruência deriva do fato de que nós todos, gostemos ou não, já estamos inseridos numa situação cosmopolita, mas não nos preparamos seriamente para a tarefa extremamente urgente de desenvolver e assimilar a consciência cosmopolita.

No Brasil existe um grupo pedindo a volta dos militares ao poder e outro dizendo que o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff é golpe político. Na Turquia, os militares tentaram tomar o poder. De onde vem essa vontade de “ordem”? O quão prejudicial isso pode ser para o atual estado das coisas? Enquanto isso, Trump conquista legitimamente mais e mais eleitores. O que sua vitória pode representar para o mundo? E o que sua ascensão nos diz sobre os EUA de hoje?

O problema não é o número crescente, em vários países, de pretendentes a regimes autoritários, mas do ainda mais rápido crescimento de seus devotados apoiadores. Não é uma questão sobre os que querem o poder (eles sempre serão muitos, já que a demanda popular por eles é abundante), mas sobre a ampliação da demanda pelos serviços que eles falsamente prometem que constitui indiscutivelmente o mais perigoso dos desafios futuros que enfrentaremos. Aproveito para citar, neste aspecto, um fragmento do meu recente livro Strangers At Our Doors: “Numa flagrante violação da intenção e das promessas modernas de substituir as incertezas do destino por uma ordem coerente das coisas, sem ambiguidades, orientada por princípios morais de justiça e responsabilidade – assegurando assim uma correspondência estrita entre as aflições dos humanos e suas opções comportamentais –, os humanos hoje veem-se expostos a uma sociedade repleta de riscos, mas vazia de certezas e garantias. A primeira causa é a transcendental ‘individualização’, codinome dos que representam para a imaginada insistência da ‘sociedade’ em subsidiar a tarefa de resolver os problemas gerados pela incerteza existencial com recursos eminentemente inadequados exigidos dos próprios indivíduos. (…) Como Byung-Chul Han sugere, nossa ‘sociedade de desempenho’ se especializou numa mudança no campo da manufatura e no expurgo de ‘depressivos e desajustados’. Eles são simultaneamente vítimas e cúmplices do seu fracasso e da depressão que ao mesmo tempo é causa e consequência. (…) Com os poderes do alto lavando as mãos e rejeitando seu dever de tornar a vida das pessoas suportável, as incertezas da existência humana são privatizadas, a responsabilidade para enfrentá-las tem de ser arcada pelo frágil indivíduo, enquanto as opressões e calamidades existenciais são descartadas como tarefas tipo ‘faça você mesmo’ a serem executadas pelo indivíduo que padece. (…) Para o indivíduo que se vê abandonado e desalojado com a retirada do Estado, a ‘individualização’ pressagia uma nova precariedade da condição existencial: uma situação ruim que se torna cada vez pior.” Agora este é um contexto psicossocial em que a ânsia de um homem forte (ou mulher) que proponha ‘me deem o poder absoluto e eu o libertarei das tormentas de riscos que você não consegue enfrentar e das decisões que não consegue tomar’, só se expande.

Onde estão nossas utopias? Estamos perdendo nossa capacidade de sonhar?

Acho que uma mudança transcendental é provável. Ao sonharmos com uma sociedade mais acolhedora e uma vida decente e significativa, avançamos gradativamente da utopia (lugar ainda inexistente, mas à espera no futuro) para o que chamo de ‘retrotopia’ (‘volta ao passado’, ao modo de vida que foi exageradamente, irrefletidamente e imprudentemente abandonado). Trato disso no meu novo livro, <CF742>Retrotopia</CF>, a ser publicado pela Polity Books em 2017. Podemos concluir que passado e futuro estão nesse quadro intercambiando suas respectivas virtudes e vícios. Agora é o futuro que parece ter chegado ao tempo de ser ridicularizado, sendo primeiro condenado pela falta de confiança e dificuldade de manejar e que está em débito. E agora o passado é o credor – um crédito merecido porque neste caso a escolha ainda é livre e o investimento é na esperança na qual ainda se acredita.

O senhor é otimista com relação ao futuro próximo do mundo? A esperança é mesmo imortal, como o senhor afirma em ‘Babel’?

Procuro seguir o preceito de Antonio Gramsci: ser pessimista a curto prazo e otimista a longo prazo. Afinal, esta não é a primeira crise na história da humanidade. De alguma maneira, as pessoas encontraram meios para superá-las no passado. Eles podem (e é essa capacidade que nos torna humanos) repetir a façanha mais uma vez. A única preocupação é: quantas pessoas pagarão com suas vidas desperdiçadas e oportunidades perdidas até que isto ocorra? /TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO