Brasil em Crise: tudo o que você gostaria de entender mas não sabe nem por onde começar

(Site oficial)

As dúvidas que assolam a república, em um pequeno FAQ (atualização permanente)


O grampo em Lula e Dilma foi ilegal?

O material foi obtido com autorização da Justiça. Ou seja: ilegal, não é. Quem autorizou foi juiz Sérgio Moro, titular do processo. Existem áudios de conversas do ex-presidente Lula com diversas pessoas, entre elas a presidente Dilma. E aqui pairam duas dúvidas essenciais:

1. Um dos áudios, no qual Dilma fala que enviou o documento de posse para efetivar Lula como ministro — e o aconselha a “usar em caso de necessidade”  — foi gravado após o horário do despacho do juiz Sérgio Moro que encerraria as interceptações telefônicas. Esse áudio está sendo contestado. É válido? É legal? Pode estar no processo contra Lula? A palavra final caberá ao STF, para onde Moro enviou a investigação. O ministro do STF, Marco Aurélio de Mello, que havia criticado duramente Sérgio Moro por obrigar Lula a prestar depoimento, sinalizou que a suprema corte não vê problema no áudio contestado: chamou de “pecadilho”.

2. Moro poderia ter divulgado os áudios? Opiniões de especialistas vêm pululando pela imprensa. O direito é elástico o suficiente para defender ou condenar a prática. Moro alega interesse público, seus detratores dizem que o argumento é frágil e que a intimidade de Lula deveria ser preservada. Além do mais, alegam que, por se tratar de um grampo que envolve a presidente da República, esses áudios deveriam obrigatoriamente ir ao STF sem qualquer divulgação.

Isso anula a Lava Jato?

Não. Esses áudios se referem somente a 24º fase da operação, que investiga Lula. Juridicamente, no entanto, existem muitos caminhos. Se a tese do “pecadilho” prevalecer, o processo seguirá seu curso para análise das provas. Mas há chance de o áudio gravado após o fim das investigações ser considerado ilegal. Nesse caso, a possibilidade de anular o processo é real. Durante a Operação Satiagraha, escutas ilegais foram usadas contra o banqueiro Daniel Dantas, que acabou preso. Mais tarde, o processo foi anulado — e Dantas solto — por “contaminação de provas”.

Afinal, houve vazamento dos áudios?

Não. Quem autoriza a publicidade dos autos de um processo ou de parte deles é o juiz. O juiz da Lava Jato é o Moro, que levantou o sigilo e divulgou as conversas. Não é, portanto, um vazamento. Para Moro, é importante que o povo avalie, a partir das gravações, se um ex-presidente está usando o governo para interesses pessoais e de partido. Muitos juristas discordam, e acreditam que o processo deveria ter sido apreciado antes de ir à imprensa.

Mas transparência pública é bom. A justiça está mudando para melhor?

Mais ou menos. Vamos pegar o exemplo que Moro mais gosta de usar: a operação Mãos Limpas, que varreu os partidos italianos nos anos 1990 em um sistema de corrupção muito parecido com o do Brasil. A Mãos Limpas fez uso de grampos para processar corruptos e corruptores. O sucesso da operação fez com que as interceptações autorizadas pela justiça se tornassem uma prática comum na Itália, virando quase o caso do remédio em excesso que se torna veneno.

Segundo dados do ministério da Justiça italiano, em 2012 foram autorizadas 124 mil interceptações telefônicas. Considerando que cada pessoa interceptada na Itália fez em média 26 ligações por dia, estima-se que espantosas 181 milhões de conversas foram ouvidas por investigadores — em um país de 60 milhões de habitantes. Como comparativo, o volume de grampos italianos é superior a França (41 mil), Alemanha (23 mil) e Reino Unido (3 mil) somados.

A quantidade de grampos fez suscitar críticas em relação a um estado policial na Itália. Aproveitando a onda, políticos tentaram restringir ao máximo os grampos. O equilíbrio é delicado.

O Brasil está virando um estado policial?

Muitos sinais são preocupantes. A Lei anti-terrorismo é a pior delas. Apesar de ter sido sancionada com vetos importantes pela presidente Dilma, a lei ainda é temerária. É preciso dar força ao Estado para controlar o crime, mas os direitos fundamentais precisam ser resguardados. “Quem não deve não teme” é uma grande falácia a favor do vale-tudo. Alguém gostaria de abrir permanentemente sua conta de e-mail e gravações telefônicas só por garantia?

Lula pode ser ministro? Não é ilegal?

Pode. Não é ilegal. A chance de ele perder o cargo reside, justamente, se comprovado que aceitou o convite somente para se proteger da Justiça. Sua nomeação está suspensa, aguardando manifestação da Advocacia Geral da União no STF, que decidirá o caso nas próximas semanas.

O que a economia tem a ver com isso?

O que se convencionou chamar de “economia real”, no curto prazo, pouco. Lula ministro não fará mágica. O Brasil não melhora em pouco tempo com ele no Governo. Nenhuma figura salvadora vai dar jeito. A Bolsa, por outro lado, sofre dois movimentos: entrada e saída constante de capital externo, que faz ações e dólar flutuarem, e euforia de pequenos investidores que lêem “melhora” ou “piora” a cada passo da Lava Jato. Além disso, sofremos com guerra cambial.

E os militares?

Eles não podem espirrar que ficamos com medo. Tomei a liberdade de consultar um militar do alto comando do Sul, que pediu pra ter seu nome preservado. Não é garantia de nada, até porque, se seguir o movimento de 1964, como mostrou Elio Gaspari em sua coleção de livros sobre a ditadura, o Exército não opera de forma unida e podem existir rebeliões internas e rachaduras. No entanto, segundo essa minha fonte, “não há qualquer clima de golpe”. Nossa democracia deve dar conta da crise com as regras que estão postas. A responsabilidade é nossa.

Estou em cima do muro? Sou uma pessoa horrível?

Nem mesmo juristas concordam entre si com boa parte do que vem acontecendo. Cuidado também com a opinião de “especialistas”. Muitos têm interesses (clientes implicados na Lava Jato, por exemplo), e nenhum deles têm acesso aos autos do processo. Ou seja: estão opinando sobre teses que podem ou não espelhar a verdade processual. São opiniões que nos ajudam a formar uma consciência, mas apenas isso. E, politicamente, talvez você não esteja em cima do muro, mas contra um sistema político de oligarcas que abarca todos os que, aparentemente, estão brigando pelo poder. Todos os partidos que comandam o país estão atolados nessa lama.

Moro é um herói nacional?

Por favor, não eleja heróis. A melhor política se faz com instituições fortes, não pessoas. É hora de ser iconoclasta, não ingênuo.

A imprensa é isenta?

Uma árvore é isenta?

Ok, mas e a imprensa?

A imprensa é como a política, o judiciário, a natureza. Não existe essa unidade “a imprensa”. Filtre suas fontes de informação e não passe boatos adiante. Prefira falar sobre fatos com fontes comprovadas em vez de espalhar opiniões sem fundamento no mundo real.

A lava jato vai mudar o país?

Já mudou, por tudo o que está acontecendo, para o bem e para o mal. Mas o que mudaria mesmo o país seria uma reforma política, para começar. As campanhas são muito caras e isso faz com que os financiadores cobrem a conta rapinando os cofres do Estado. Fora isso, claro, seria importante votar melhor, e sobretudo ser uma pessoa melhor no dia a dia. Ou, como disse o jornalista e escritor italiano Indro Montanelli em um artigo de 1995 sobre a operação Mãos Limpas: “Mas e o país é melhor que a classe política?”.

Extraído do Medium

(Escrito por Leandro Demori)

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Só um Mundo de Amor pode Durar a Vida Inteira

amor
Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dizê-la. Muito do que se segue pode ser, por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza. Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dizê-lo.

O que quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível. Já ninguém aceita amar sem uma razão. Hoje as pessoas apaixonam-se por uma questão de prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão ali mesmo ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavanderia.

Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em “diálogo”. O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornaram-se sócios.Reúnem-se, discutem problemas, tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-sócio-bio-ecológica de camaradagem. A paixão, que devia ser desmedida, é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade, ficam “praticamente” apaixonadas.

Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há,estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço.
Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão covardes e tão comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas de cantina, malta do “tá bem, tudo bem”, tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananóides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim, a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo?

O amor é uma coisa, a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida,o nosso “dá lá um jeitinho sentimental”. Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Para onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassada ao pessoal da pantufa e da serenidade. Amor é amor. É essa beleza. É esse perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar.

O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto. O amor é uma coisa, a vida é outra. A vida às vezes mata o amor. A “vidinha” é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende.

O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita, não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa, a vida é outra. A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não esta lá quem se ama, não é ela que nos acompanha – é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber. É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado,viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir. A vida é uma coisa, o amor é outra. A vida dura a Vida inteira, o amor não.
Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E valê-la também.

Miguel Esteves Cardoso, in ‘Jornal Expresso’

Poesia de Terça feira Insana!

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A janela é bonita,
O rapaz é legal,
A vida é muito bela,
To com coceira no meu pé.

Se a verdade fosse nua,
A falsidade bem vestida
Eu comeria carne crua,
Tenho um calo no meu pé.

São Paulo chove muito,
Ceará não chove nada,
0800 significa gratuito,
É um cravo no meu pé!

A polícia é algo BOM!
O bandido é algo MAU!
Me pergunto porque em plástico vem sorvete de BOMBOM!
E o picolé vem no PAU!

Boa Sorte/ Good Luck (Vanessa da Mata)

Gostei dessa música, espero que gostem também!

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“É só isso
Não tem mais jeito
Acabou, boa sorte

Não tenho o que dizer
São só palavras
E o que eu sinto
Não mudará

Tudo o que quer me dar
É demais
É pesado
Não há paz

Tudo o que quer de mim
Irreais
Expectativas
Desleais

That’s it
There’s no way
It’s over, good luck

I’ve nothing left to say
It’s only words
And what l feel
Won’t change

Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It’s too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There is no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Isn’t real
Expectativas / Expectations
Desleais

Mesmo se segure
Quero que se cure
Dessa pessoa
Que o aconselha

Há um desencontro
Veja por esse ponto
Há tantas pessoas especiais

Now even if you hold yourself
I want you to get cured
From this person
Who advises you

There is a disconnection
See through this point of view
There are so many special
People in the world
So many special
People in the world
In the world
All you want
All you want

Tudo o que quer me dar / Everything you want to give me
É demais / It’s too much
É pesado / It’s heavy
Não há paz / There’s no peace

Tudo o que quer de mim / All you want from me
Irreais / Isn’t real
Expectativas / That expectations
Desleais

Now we’re falling
Falling, falling
Falling into the night
Into the night
Falling, falling, falling
Falling into the night

Now we’re falling
Falling, falling
Falling into the night
Into the night
Falling, falling, falling
Falling into the night ”

(Vanessa da Mata e Não sei o que lá).

Viaje na minha MATRIX!

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O desenvolvimento da técnica na sociedade do capital tende a aparecer como desenvolvimento tecnológico, com objetos complexos assumindo formas estranhadas, que sob certas circunstâncias sócio-históricas podem assumir alto potencial destrutivo. Na medida em que se amplia, o fetichismo da mercadoria imprime sua marca indelével na sociabilidade humana, constituindo formas complexas de fetichismo social, criando a aparência de uma tecnologia onipotente e malévola. O fetiche da técnica através dos objetos tecnológicos tendem a ocultar a verdadeira dominação do capital como relação social a serviço da reprodução hermafrodita da riqueza abstrata. Na medida em que a tecnologia assume novas formas materiais, instaurando novas técnicas de virtualização de base bio-informática de intenso cariz manipulatório, tal fetichismo da técnica alcança maior intensidade e amplitude, principalmente no plano do imaginário social. O problema da tecnologia é o problema do controle social capaz de abolir o fetichismo da matrix tecnológica. Na medida em que tais contradições do capital se acirram, explicita-se a necessidade do controle social dos objetos tecnológicos complexos, sob pena do aprofundamento da barbárie social, tendo em vista que eles são utilizados, em si e para si, como nexus de intensificação da manipulação e da produção destrutiva do capital.