As pessoas reclamam de tudo e meu cachorro não entende isso!

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Sabe quando você está na fila do banco e na sua frente tem uma pessoa reclamando de absolutamente tudo? Reclama da demora em ser atendido, reclama do calor, do frio, do ar condicionado, do prefeito, do governador, do presidente, da economia, do trabalho, do chefe, do transporte público, do carro, do preço do combustível, do time de futebol (óbvio), da família, etc. Reclama tanto que você é absorvido por uma nuvem de reclamações que pesam sobre você durante todo o dia e quando você se deita na cama para dormir vem àquela sensação de que o seu dia foi extremamente cansativo e pouco produtivo e você não sabe o motivo.

Uma reclamação aqui, outra lá, durante um bate papo com os amigos é normal. No meio de pessoas estranhas, vai depender da sua personalidade. Um monte de reclamações ao mesmo tempo ou em frequência constante não é suportável a ninguém. Desculpem-me aqueles que são assim, mas vocês são desagradáveis.

Essas pessoas são contagiosas, fujam! Isole-se no seu mundo perfeito. Se você não tem um mundo perfeito só seu, fuja assim mesmo e se esconda atrás dos seus problemas. Isso mesmo, atrás dos seus problemas! Primeiramente por que são seus e você faz uso deles da maneira como quiser e segundo por que é você quem se esforça, luta, perde e ganha todos os dias para tentar resolve-los sem precisar dividi-los com o restante do mundo.

Outro dia desses estava escutando uma pessoa reclamar das coisas, não porque gostaria de escuta-la, muito menos porque não tinha nada melhor a fazer. Ela é dessas pessoas que reclamam muito e de tudo, mas nesse dia eu precisava escuta-la. Depois do interminável sofrimento fui finalmente liberto. Nesse mesmo dia cheguei em casa envolto na nuvem de reclamações e como sempre fui recebido com uma enorme festa pelo meu cachorro. Resolvi sentar na varanda com ele ao meu lado e comecei a filosofar sobre essas pessoas que de tudo reclamam, contei a ele como eu achava que seria por dentro da mente dessas pessoas, não lembro exatamente das palavras que usei, mas foi algo assim:

– Querido amigo Cachorro (estou ocultando o nome do cachorro para não me indispor com ele futuramente), imagina você em um lugar escuro, denso e incomodo, imagina que isso não é transitório e sim permanente e que todos os dias da sua vida essa é a sua condição. Na sua frente existem três pequenas aberturas, duas delas posicionadas uma ao lado da outra e a terceira posicionada um pouco abaixo. Essas são as únicas formas que você tem acesso ao mundo exterior. As duas de cima lhe fornecem um campo de visão turvo e minúsculo e o pouco que se vê do outro lado são coisas em uma escala de cores cinza. A outra abertura não fornece um campo de visão, mas permite a comunicação com o mundo exterior, você pode escolher o que emitir por ela, e a sua escolha é quase sempre reclamar ao mundo lá de fora o quão e difícil, ruim, incomodo, injusto e imperfeito é o seu mundo interior…

Nesse momento o cachorro se levanta e sai em disparada e se lança ao chão para poder enxergar pelas frestas do portão e começa a latir incessantemente com alguém que passa do outro lado da rua.

Não consegui concluir, filosoficamente, que nossos olhos enxergam de tudo, porém da forma como queremos que eles enxerguem. As palavras que dizemos são de nossa escolha e o mais importante é que podemos escolher não dize-las.

Suspeito que meu cachorro não entendeu meu momento filosófico ou apenas achou um jeito de fugir das minhas reclamações.

– Ó céus, fui contagiado!

(Poeta Torto)

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