O ceifador de Perdedores

texto5.jpgHá algum tempo fui contratado para um trabalho distinto. No começo achei meio diferente, mas nada que com um tempo não se acostume. Horários incertos, tempo cronometrado algumas vezes, e um bom pagamento. Era tudo de se esperar. Porém existe uma cláusula que não se podia quebrar, eu não poderia dizer as palavras “obrigado”  e “me desculpe”. Isso era inaceitável no Trabalho, repercutiria em toda a minha vida. Contrato meio puxado, as vezes exaustivo, mas as pessoas acabam de acostumando com ele.
O trabalho era muito simples, tratava de destratar as pessoas. Com piadas medíocres ou ofensivas, de preferência as que feririam o ego delas. No começo você acha que é exagero, depois você se torna aquilo, acha normal faltar com respeito, se torna brincadeira. Se torna comum.

E então o dia a dia se torna isso, um lugar onde posso depravar piadas e ofensas que o resto do mundo acha engraçado. É uma cutucada dali, outra daqui, contanto que um ou dois riem, é inteiramente normal. Se a pessoa se ofende com a suposta “brincadeira”, ela não tem argumento para se sustentar, ela se torna a errada.

E o mundo está assim hoje em dia, tratar o outro com ofensa é normal, fazer piada imoral é engraçado, cultivar o humor negro virou algo necessário. Algumas pessoas se afastam da gente, mas tanto faz. O mundo continua girando. No fim da vida vou estar sozinho, com meu humor negro, minha falta de caráter e um belo casarão solitário.

Mas se arrepender jamais, afinal nasci pra ser otário.

(Depoimento de um babaca qualquer)

 

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