Czar Invertido

pliticUma matéria do El Pais Brasil (Segue o link abaixo) mostra como as eleições para a DUMA (Baixo parlamento da Rússia), estão seguindo em “banho Maria”. Segundo o site, o principal motivo se dá pelo parlamento russo estar desacreditado perante a população local. Lá, eles só querem saber do presidente Vladmir Putin. Segundo a matéria, isso se dá, em parte, pelo povo da antiga União Soviética ainda respeitar o presidente como respeitavam os CZARES russos, que eram os donos do país.

Muitos falam que a Rússia e a Itália são o Brasil da Europa. Na política, os dois países tem diversas semelhanças com a nossa terra. Na Itália e na Rússia, a corrupção ainda é um problema. Na bota, coronéis como Silvio Berlusconi e a família Agnelli comandam o país e as decisões governamentais, já na Rússia, a corrupção, como aqui, é um vírus que não sai das veias de seus políticos. Na terra de Putin, os políticos são despreparados, vindos única e exclusivamente das fortes hierarquias familiares que são piores do que aqui e na bota.

Mas, percebamos como uma coisa se inverte nesse espelho sangrento entre Brasil e Rússia. Aqui, ao invés de culparmos somente as câmaras, ateamos todo o fogo na figura do presidente. Não falo aqui só de Dilma, me refiro a história da nossa política. Qualquer problema é ligado diretamente a figura do presidente, seja ele Lula, FHC, Itamar Franco ou Dilma. Enquanto os russos só reclamam do parlamento, esquecendo a figura de Putin, nós só atiramos em nossos “Putins”, esquecendo tudo que está por trás deles.

Isso se torna notório quando estamos em período de campanha eleitoral. Poucos são os debates sobre em qual vereador fulano irá votar. Todos os questionamentos estão em torno da figura dos prefeitos, esquecendo que as decisões passam pelos vereadores e que sem eles nenhuma lei poderá ser homologada.

A explicação para todo esse rebanhado de informações pode vir de não termos na nossa história a figura do líder “herói”. Nunca tivemos um rei, um czar, um monge, um sacerdote ou seja lá o que for, que fosse uma unanimidade burra em termos de hipnotizar a população.

Por um lado isso pode ser bom. Não criamos a cultura de acreditar piamente no líder e em suas ações. Mas, devido a nossa infantilidade política, levamos essa vantagem para um outro lado, onde toda culpa recai nos ombros do líder supremo.

Enquanto tivermos a cultura do Czar invertido, continuaremos preocupados somente com a figura central do poder sem se atentar para as laterais, lugar onde os abutres continuam comendo pelas beiradas sem que façamos diferença disso.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s