Viciado em Pó

death

Alfredo não tinha uma vida, comum, nem um salário comum, nem um emprego comum, muito menos uma família comum. Alfredo sentia saudade da juventude, sentia verdade de vontades, sentia juventude na saudade, sentia a nostalgia verdadeira. Alfredo conhecia um pouco de tudo, ao contrário de muitos que conhecem muito de um pouco, ele era um ser sensato e sábio.

Alfredo já teve filho, neto, bisneto, tataraneto. Alfredo já foi pai, avô, bisavô e tataravô. Chega a ser uma redundância, se a vida não desse tantas voltas quanto o mundo dá. Alfredo já viu várias guerras, vivenciou vários amores, saboreou várias vidas, sepultou várias vontades.

Alfredo já viveu inúmeras verdades, já presenciou milhares de mentiras, já criticou certas vontades e já observou muitas vaidades. Alfredo sentia o vento do Norte, do Sul, do Leste e do Oeste, a chuva de inverno, o sol de Verão, a noite mais longa, o dia mais belo, a vida bem vivida e a morte bem sepultada. Às vezes discutia com Miguelito, mas sempre tinha razão.

Alfredo trabalhava incansavelmente, ininterrupto; Eita seu Alfredo, apático e frio. Era assim seu trabalho, seu caminho e suas verdades. Sempre que alguém fechava os olhos, Alfredo estava lá fazendo seu trabalho. Não errava e não faltava um único serviço. Era disciplinado até nas horas impróprias.

E tudo que um dia veio do pó, voltava para ele, e Alfredo tava lá… fazendo sempre seu trabalho. Eita seu Alfredo, o viciado no pó.

 

 

 

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