Xícara de Café

recipientes.jpgUm grupo de profissionais, todos vencedores em suas respectivas carreiras, reuniu-se para visitar seu antigo professor.
Logo a conversa parou nas queixas intermináveis sobre stress no trabalho, e na vida em geral. O professor ofereceu café. Foi para a cozinha e voltou com um grande bule e uma variedade das melhores xícaras: de porcelana, plástico, vidro, cristal…
Algumas simples e baratas, outras decoradas, outras caras, outras muito exóticas…
Ele disse:
– Pessoal, escolham suas xícaras e sirvam-se de um pouco de café fresco.

Quando todos o fizeram, o velho mestre limpou a garganta, calma e pacientemente conversou com o grupo:
– Como puderam notar, imediatamente as mais belas xícaras foram escolhidas, e as mais simples e baratas ficaram por último. Isso é natural, porque todo mundo prefere o melhor para si mesmo. Mas essa é a causa de muitos problemas relacionados com o que vocês chamam “stress”.

Ele continuou:
– Eu asseguro que nenhuma dessas xícaras acrescentou qualidade ao café. Na verdade, o recipiente apenas disfarça ou mostra a bebida.
O que vocês queriam era café, não as xícaras, mas instintivamente quiseram pegar as melhores.
Eles começaram a olhar para as xícaras, uns dos outros.

Agora pense nisso:

A vida é o café. Trabalho, dinheiro, status, popularidade, beleza, relacionamentos, entre outros, são apenas recipientes que dão forma e suporte à vida. O tipo de xícara que temos não pode definir nem alterar a qualidade da vida que recebemos. Muitas vezes nos concentramos  apenas em escolher a melhor xícara, esquecendo de apreciar o café! As pessoas mais felizes não são as que têm o melhor, mas as que fazem o melhor com tudo o que têm!
Então se lembrem: Vivam simplesmente. Sejam generosos. Sejam solidários e atenciosos. Falem com bondade. O resto deixem nas mãos do Criador Eterno, porque a pessoa mais rica não é a que mais tem, mas a que menos precisa. Agora desfrutem o seu café!

Viciado em Pó

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Alfredo não tinha uma vida, comum, nem um salário comum, nem um emprego comum, muito menos uma família comum. Alfredo sentia saudade da juventude, sentia verdade de vontades, sentia juventude na saudade, sentia a nostalgia verdadeira. Alfredo conhecia um pouco de tudo, ao contrário de muitos que conhecem muito de um pouco, ele era um ser sensato e sábio.

Alfredo já teve filho, neto, bisneto, tataraneto. Alfredo já foi pai, avô, bisavô e tataravô. Chega a ser uma redundância, se a vida não desse tantas voltas quanto o mundo dá. Alfredo já viu várias guerras, vivenciou vários amores, saboreou várias vidas, sepultou várias vontades.

Alfredo já viveu inúmeras verdades, já presenciou milhares de mentiras, já criticou certas vontades e já observou muitas vaidades. Alfredo sentia o vento do Norte, do Sul, do Leste e do Oeste, a chuva de inverno, o sol de Verão, a noite mais longa, o dia mais belo, a vida bem vivida e a morte bem sepultada. Às vezes discutia com Miguelito, mas sempre tinha razão.

Alfredo trabalhava incansavelmente, ininterrupto; Eita seu Alfredo, apático e frio. Era assim seu trabalho, seu caminho e suas verdades. Sempre que alguém fechava os olhos, Alfredo estava lá fazendo seu trabalho. Não errava e não faltava um único serviço. Era disciplinado até nas horas impróprias.

E tudo que um dia veio do pó, voltava para ele, e Alfredo tava lá… fazendo sempre seu trabalho. Eita seu Alfredo, o viciado no pó.

 

 

 

Pescador de Palavras

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Por quê a busca incessante pelo progresso é algo imensurável?

Existia aquele que buscava a palavra, o jeito que as escolhia, a sabedoria em cada movimento. Era de uma idoneidade marcante, mal sabia que se tornaria um ser lendário com o passar dos tempos.

Sua afeição refletia a serenidade de uma criança, a pureza de uma rosa, o andando calmo de um ancião. Era a sintonia perfeita, em um mundo imperfeito. Deixava o medíocre discutir com as pessoas, o comum discutir os fatos e os sábios discutir ideias.

E mesmo assim, ele cultivava as palavras… semeando as mais precisas e guardando-a para um futuro próximo.  

 

Àquele dia sem álcool.

surreral3Não podemos vivenciar o passado sem perder o sentido. É preciso muito para ter quase nada. O que não cega, te deixa faminto. Eu bato na parede, e transmuto a dor. Sou a Diabete, o pão de queijo, o quadrado que não é seu!
Historicamente o wall é parede, mas Wallace é nome com jogada de poker.

Blood in hell!!! Blood in hell!!! Blood in hell!!! Blood in hell!!!
Saúde! Descafeinado por favor!suerreal2

Eu viro, vodka sabia das escolhas secas que fez. Penso, logo eu falo. A síndrome do tempo que vira time e time que vira tempo. Sou a ponte quadrada, o degrau mal feito, mas é tudo concreto. A real, a idade, faz parte do humano, da idade.
Se os peers não tiver cheio, não tem como baixar. É fato.

É eles! É eles! É eles!

Partiu. (Meia face, cabeçudo sorrindo).

Quando acordo depois de não ter dormido, vejo que preciso de misturar coisas mágicas, como li uma vez: “Uma bomba atômica de bem-querer. Juntei todos os ingredientes necessários, tudo o que havia de bom no mundo. Exceto coelhos. Coelhos resultariam em Meninas Super Poderosas. Não era essa a ideia.” ou talvez seria, depende do universo e do sabor do café! ahh… o café!!!

surreal
Olhar os lírios do campo, que crescem e florescem sem incentivos fiscais. Tirar deduções, tomar nota e engolir o papel.(L. F Veríssimo)

E assim percebo que todos estamos sós, vagando consigo mesmo, namorando a solidão enquanto flertamos com a idéias surreais. E assim, mais uma peça se encaixa nesse mosaico unânime que é a vida.

Bola pra trás, saco pra frente, é a ordem das coisas, porque na desordem se faz democracia.