EGOÍSMO: ILUSÃO DO PODER

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Na aprendizagem do amor, um ponto importante é dar-se conta como somos egoístas. Todos os seres humanos, em graus distintos, vivem pensando em si mesmos. É um comportamento natural.

Nascemos e aprendemos a dizer “meu pai”, “minha mãe”, “meu brinquedo” – e não é à toa que esses pronomes se chamam possessivos.

Quando chegamos, pela primeira vez, aos braços do nosso pai ou da nossa mãe, também ouvimos “minha filha”, “meu filho”.

O sentimento de posse e apego é vital para a sobrevivência. Mas, ao longo da vida, reforçamos tanto esse apego que nos esquecemos de aprender a compartilhar, a dividir afetos, tempos, coisas, espaços.

É verdade que cada um de nós é um ser único, especial, sem outra réplica no mundo, com capacidade de amar e ser amado da forma mais intensa possível, com potencial para todo sucesso desejado. Um ser digno de toda beleza e riqueza que a vida pode oferecer.
Mas também é verdade que todos os seres humanos têm esses mesmos direitos.

Uma regra básica de convivência é reconhecer que, se nos sentimos as pessoas mais importantes do mundo, os outros seres humanos têm a mesma sensação em relação a eles próprios. E, portanto, para haver harmonia num relacionamento, é necessário que se saiba compartilhar.

O ser humano, em seu processo de crescimento no amor, descobre que é um ser grupal, relacional. Existe, assim, o amor ao grupo, aos outros, com condição da sobrevivência de todos. É preciso que haja amor recíproco para que todos se desenvolvam.

A pessoa egoísta, que apenas recebe afeto e não o devolve, ou raramente o faz, acabará ficando sem amor. Na dinâmica do crescimento do amor, a reciprocidade constante é um elemento imprescindível.

O egoísmo não se define apenas por aquilo que uma pessoa quer para si, mas sobretudo por ela não dar o mesmo direito aos outros.

O fato de alguém não querer emprestar um livro, para não o estragar, não significa necessariamente que seja egoísta. Mas exigir que todas as pessoas lhe emprestem os livros que ele pede, sem direito a dizer não, isso é um forte sinal de egoísmo.

Mais radicalmente, o egoísmo é querer transformar os outros em propriedade nossa. Quando você tem a sensação de que o outro lhe está sendo tirado é porque, na verdade, você apenas o tratava como uma coisa que possuía.

O parceiro não estava realmente integrado ao seu ser. Quando amamos uma pessoa, queremos que ela seja livre. Essa liberdade do outro nos dá segurança. Ele é livre e, portanto, está comigo porque quer, porque realmente me ama. Nada o obriga. E nossa preocupação passa a ser mais dar do que exigir.

As pessoas egoístas necessitam que seu par sempre se dedique por inteiro a elas. Exigem permanentes provas de amor e têm atitudes ameaçadoras de abandonar o parceiro se não forem atendidas.

Exigem do outro um amor estável, mas, ao mesmo tempo, passam-lhe a impressão de não estar amando totalmente, para provocar insegurança e estimular o companheiro a sentir-se inferior em seu amor, com medo de ser abandonado.

Pretendem conseguir, com essa manipulação, que o outro lhes dê sempre mais e peça cada vez menos. São pessoas que reclamam mais presença, mais atenção, mais cuidados, não por sentimento de amor, mas com o intuito de não perder o controle e não dividir nada com ninguém.

E a resposta do outro também não é, na maioria das vezes, de amor. É uma resposta carregada de medo pela possibilidade de ser abandonado, castigado, ridicularizado.

O que se observa aqui? De um lado, possessividade e, do outro, uma sensação de inferioridade, que pode ir do medo submisso à raiva. Todos esses sentimentos são bem diferentes do amor.

É difícil perceber nosso egoísmo. Não é comum admiti-lo, porque nem sempre temos consciência de que é tão ruim essa ânsia de sermos “felizes” a qualquer custo (para o outro, é claro!). Essa felicidade, porém, é uma ilusão.

O egoísta imagina ter um poder, mas já perdeu o poder de amar. Embora seja difícil identificar o egoísmo, há indicações desse sentimento, algumas claras e outras bastante sutis:

· Fazer um programa a dois e não consultar o parceiro, informando-o apenas. E irritar-se ao não contar com a sua companhia ou aprovação.

· Chegar ao restaurante e fazer o pedido ao garçom, sem perguntar a quem o acompanha o que deseja comer.

· Falar o tempo todo e não parar para escutar o companhante.

· Dizer: “Eu sei o que é melhor para você”, em vez de perguntar: “Do que você precisa? Do que você gosta?”.

· Não se sentir feliz com o sucesso do par.

· Não incentivar o crescimento do companheiro.

· Não se preocupar em atender alguma necessidade do outro, por achar que é bobagem.

· Não se lembrar do parceiro em momentos de alegria.

· Não dividir uma dor num momento difícil.

· Chegar em casa e, sistematicamente, isolar-se no trabalho, na leitura, diante da televisão ou do computador.

. Trabalhar demais e só chegar em casa para dormir.

· Não respeitar o limite da outra pessoa.

· Desqualificar o sentimento romântico do ser amado.

· Não dividir tarefas domésticas.

· Gastar mais dinheiro consigo próprio do que as possibilidades financeiras do casal permitem.

· Não cuidar do outro quando ele precisa.

. Não se cuidar, para fazer o outro feliz.

. Não apoiar o companheiro em momentos de dor ou de dificuldades profissionais.

· Pensar que todos os problemas da relação são apenas responsabilidade do companheiro.

· Exigir ser amado, mas não amar.

Para quem, neste momento, está se dando conta de suas ações egoístas, é importante perceber que você dormirá na cama que estiver preparando. O egoísmo leva necessariamente à solidão… Uma pessoa que se torna infeliz por causa do egoísmo do outro jamais terá condições de fazer esse outro feliz.

Crie o amor que você merece. Escute o outro. Tenha prazer em fazê-lo feliz, e ele dará a você, de presente, a felicidade que você mesmo ajudou a construir.

Roberto T. Shinyashiki

Texto do Livro: “Amar pode dar certo”
Roberto T. Shinyashiki
Editora Gente
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