Síndrome do Sentir

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Esta chuvinha de água viva esperneando luz e ainda com gosto de mato longe, meio baunilha, meio manacá, meio alfazema pois o sol de outono caía com uma luz pálida e macia.

Sinto o amargo sabor da tristeza nas palavras de uma amigo querido, que os carinhos de Genésia não tinham mais gosto dos primeiros tempos e se sucederam na magia das ondas volumétricas daqueles pensamentos mosaicos de um serafim monólogo.

A maciez das músicas sentidas pelo tato da verdade sobre o capuz da aurora celestial, fez com que eu fosse além da compreensão exacerbada de um caminho sem fim com sabor de enxofre e gosto de quero mais.

Vamos respirar o ar verde do outono na floresta, uma luminosidade perfumada aquecia os pássaros e a melodia do pianista era doce e rósea em suas sublimes imensidões pois ouvia-se a maciez de um sabor prateado e eternamente se encantou com o calor víride e azulado de um aroma que soava doce como o bem maior em que acreditava.

A minha primeira recordação é um muro velho, no quintal de uma casa indefinível. Tinha várias feridas no reboco e veludo de musgo. Milagrosa aquela mancha  verde e úmida, macia,quase irreal. (Augusto Meyer)

A alegria de ter 30 e poucos anos

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Por Smiley Poswolsky 

Quando você faz 30 anos, não dá mais para fingir. É impossível trabalhar em um lugar que você odeia, é impossível namorar quem você não ama e é impossível não cuidar bem do seu corpo. Depois dos 30, você está mais sintonizado com o seu corpo, seu coração e sua alma.

Algumas mudanças são difíceis… seu corpo começa a rejeitar algumas coisas como excesso de café ou ficar bêbado e acordado a noite inteira. Seu coração começa a se interessar menos por explorar livremente por aí e mais por intensificar algo com quem você realmente gosta.

Sua essência está mais conectada com os seus verdadeiros desejos. Aos 30, você para de enganar tanto as pessoas. E, consequentemente, você também para de se enganar. Aos 30, você começa a perceber quem é e o que quer. Aos 30, você está confiante sobre as suas qualidades, mas também conhece seus pontos fracos. Aos 30, você substitui desculpas esfarrapadas por verdades. Aos 30, uma ressaca não é mais uma leve dor de cabeça no domingo de manhã… É tipo o pior dia da sua vida.

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Quando eu fiz 30 anos, eu resisti à muitas dessas mudanças. Eu chorei quando o médico me mandou tomar menos café e mais Omeprazol. Eu fiquei indignado quando fiquei bêbado com duas cervejas e ainda me senti morto no dia seguinte. Senti que tinha algo errado comigo por não querer aproveitar a noite de sexta.

Quase 3 anos depois, eu estou apaixonado pelos meus 30 e poucos anos.

Eu faço o que eu quiser das minhas noites de sexta. Geralmente, eu leio um livro ou assisto Netflix. Coloco um moletom assim que chego em casa, e me deito por volta das 9. Se eu saio, faço coisas como ir em uma aula de yoga noturna. Quando eu tinha 24, você jamais me encontraria em um estúdio de yoga em plena sexta-feira. A não ser que estivesse rolando uma festinha hipster no estúdio…

Claro que ainda tomo uma ou outra taça de vinho, mas minha semana não gira mais em torno de beber. Quando me perguntam se eu quero fazer alguma coisa, eu já imagino um programa ao ar livre ou uma viagem para algum lugar legal, e não necessariamente beber.

Eu achava que gente que acorda cedo vinha de outro planeta. Lembro que uma vez, durante a faculdade, cheguei na casa dos meus pais com um amigo lá pelas 5 da manhã, depois de uma balada. Cheguei tropeçando em mim mesmo, de tão bêbado, e dei de cara com o meu pai. Ele já estava acordado e amarrando o tênis, pronto para correr. Ainda não cheguei nesse nível de acordar às 5 da manhã, acho que é um hábito que começa lá pelos 50. Mas meus dias favoritos são os que eu estou na rua logo de manhã, respirando ar puro e me exercitando.

Aos 20, você quer ser amigo de todo mundo. Tudo gira em torno de conhecer gente nova para sair. Tem aquilo de no sábado vai rolar tal coisa, que quase sempre se resume em 5, 10 ou 20 amigos aleatórios no bar ou na balada.

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Aos 30, esses rolês começam a ficar insuportáveis. Você já sabe quais são seus amigos de verdade. Depois de anos de vamos marcar alguma coisa, essas saídas são substituídas por programas mais intimistas. É claro que, de vez em quando, eu topo uma festinha, mas geralmente prefiro conversar com alguém que seja realmente importante para mim, que faça parte da minha vida e que eu gostaria que estivesse no meu casamento – e não alguém que só curte as minhas fotos no Facebook.

É uma delícia cuidar do seu corpo e do seu coração com mais carinho, ser fiel à quem você e ao que você deseja. Inclusive, ficar em casa em uma sexta-feira e aproveitar a vida com quem você realmente quer.

Essa é a alegria de ter 30 e poucos anos.

A Teoria de Thelos

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Ninguém poderia dizer o que seria aquilo, ou o que poderia se tornar aquilo devido aos fatores mundanos.

Era uma tarde de Sol, Bartolomeu não comia há 2 dias, Genebra estava inquieta chutando a cabeceira da cama ininterruptamente, em ciclos alternados, enquanto seu irmão, Morse, tentava decifrar aquele código. No horizonte a brisa seca e saborosa de carvalhos vermelhos pairava sobre aquela pequena cidadela.

E o vento toda vez que inundava o vale com aqueles ruídos apimentados, sapecava até a mais sossegada das folhas de outono. Era uma época difícil pois o sistema era gerenciado por reformas e autoridades  baseadas na lei viva, ou seja, de Thao.

Era uma tarde de Sol, quando o primeiro eclipse banhou o vilarejo com seu véu distinto e singelo que nem a mais forte das lamparinas conseguiu se manter.

Eram diferentes com semelhanças incríveis, e ao serem avistadas um grande tambor eclodiu, e no meio desta nuvem sonora, podemos presenciar algo diferente….

Thelos.

A Origem do Raio.

Nota

A Origem do Raio.

Eu sei o que voce fez no verao passadoEra uma vez um cara torto, todo torto, parecia um festival sertanejo que acontece em Marília, mas o nome não tem nada haver mesmo. (Foda-se!). Pode até parecer clichê eu usar este termo, você pode até dizer que já o ouviu em algum lugar, como um Dejavu, enfim era um dia triste com um bom lugar pra ler um livro, e aquele bendito pensamento só em você, sua Nutella gostosa que 1kg de delícia instantânea, instantânea tipo miojo que depois de 3 minutos já está pronto para saciar as vossas vontades.

Vontades que o próprio corpo humano precisa mudar as vezes, prevejo que estamos ficamos mais velhos, porque o mundo está girando e a idade passando. Tic tac, Tic Tac, é aquele velho relógio da maturidade tocando em sua volta, envolvendo tudo e todos. Uma vez eu vi um cachorro, ele tinha uma pata só. Acho estranho o que acontece com certas anormalidades que o mundo possui. Como por exemplo a bipolaridade, o racismo, a criação do Big Mac e por ai vai. Igual o povo que é feio pra burro, porque se alguém te chama de feio, não ligue. A verdade dói mas passa. Faz parte da vida.

Bom meus caros leitores, se vocês leram até presente momentos essas idéias aleatórias sem um pingo de censo comum, então vocês passaram no teste e agora começará o verdadeiro propósito deste post. Daqui em diante, começaremos uma séries de episódios randômicos a respeito da minha vida, todos, praticamente todos baseado em fatos reais e com apenas um fato fictício, fica a critério de cada um. Serão contos, peripécias, discursos e até monografias a respeito da minha vida. Deixarei bem claro que às vezes vocês terão uma leitura rústica, difícil e até conturbada. Por isso pegue um café bem forte e tenha uma mente bem estruturada porque senão você será afetado. Um fato clássico disso é que quem  lê os textos, morre depois de viver em média de 60 a 80 anos, fato interessante. PS: É verdade, eu fiz o teste na década de 30 e durante a revolução francesa.

Bom, o minimalismo e os detalhes desta jornada darão ênfase a minha vida. Estou “entalado” há algum tempo. Mas o tempo está acabando, vivemos em uma época complicada onde o tempo é precioso. Pois bem, fostes avisados…

A jornada começa agora…

Moody’s tira grau de investimento do Brasil

crysisAgência derrubou nota do país em dois ‘degraus’ de uma só vez. Das 3 maiores agências, só Moody’s não tinha tirado selo de bom pagador.

A agência de classificação de risco Moody’s rebaixou a nota do Brasil e tirou o grau de investimento – selo de bom pagador – do país nesta quarta-feira (24), como já era esperado. A nota do país caiu dois degraus de uma vez: passou de Baa3, o último nível dentro do grau de investimento, para Ba2, que é categoria de especulação. A agência também colocou o Brasil em perspectiva negativa, indicando que pode sofrer novo rebaixamento.

Em nota, a Moody’s afirma que o corte da nota foi influenciado pela maior deterioração das métricas de crédito do Brasil, em um ambiente de baixo crescimento, com expectativa de que a dívida do governo ultrapasse 80% do Produto Interno Bruto (PIB) nos próximos três anos.

A agência também aponta a “dinâmica política desafiadora” vai continuar a complicar os esforços de consolidação fiscal e atrasar as reformas estruturais.

“A perspectiva negativa reflete a visão de que os riscos são de uma consolidação e uma recuperação ainda mais lentas, ou de que surjam mais choques, o que cria incertezas em relação à magnitude da deterioração do perfil de crédito do Brasil.”

Última a tirar grau de investimento
Entre as três grandes agências internacionais, apenas a Moody’s mantinha o Brasil com grau de investimento. No dia 9 de dezembro, entretanto, a agência colocou a nota do país em revisão para possível rebaixamento, indicando que ela poderia ser reduzida em breve.
A primeira a tirar o selo de bom pagador do Brasil foi a Standard and Poor’s (S&P), em setembro do ano passado. Há uma semana, a agência voltou a rebaixar a nota brasileira.

Em dezembro, foi a vez da Fitch, que ao mesmo tempo colocou a nota do país em perspectiva negativa, indicando que ela pode voltar a ser rebaixada.

Como principal motivo para a retirada do grau de investimento do país, as agências apontam a deterioração das contas públicas, o aumento do endividamento público e a preocupação com a retomada do crescimento da economia.

No mercado financeiro, a nota de um país funciona como um “certificado de segurança” que as agências de classificação dão a países que elas consideram com baixo risco de calotes a investidores.
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Consequências
Ainda que já fosse esperado, o rebaixamento pela Moody´s pode ter efeitos sobre a cotação do dólar, a dívida do país, o financiamento das empresas e o nível de investimentos estrangeiros no país.

Isso porque o grau de investimento é um “selo de qualidade” que assegura aos investidores um menor risco de calotes. A partir da nota de risco, os investidores podem avaliar se a possibilidade de ganhos (por exemplo, com juros maiores) compensa o risco de perder o capital investido em um país.

Muitos fundos internacionais, por exemplo, só permitem a aplicação em investimentos que tenham grau de “bom pagador” em pelo menos duas das três agências. Ou seja, diante do alerta e da dúvida, os investidores optam por “não pagar para ver”.

Com menos investidores “interessados” no Brasil, o país pode perder dólares, o que acaba tendo reflexos na cotação da moeda. Para o governo e as empresas, fica mais caro conseguir crédito, já que eles passam a ser vistos como “maus pagadores”.

Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco nacional Austin Rating, acredita, entretanto, que a decisão da Moody´s não deverá provocar turbulências no mercado, uma vez que a decisão já era aguardada. “Vai ficar mais difícil o Brasil receber grandes investimentos por parte dos fundos de pensão internacionais. Mas o mercado já precificou e já fez os ajustes em suas carteiras. Eu diria que vai passar desapercebido. Vai ser menos importante que o zika”, diz.

Como consequências já visíveis da perda do selo de bom pagador ele cita a queda do volume de investimentos estrangeiros em ações, renda fixa e títulos públicos, como também do montante de investimentos estrangeiros diretos, que recuaram 22,5% em 2015.

Brasil não deve recuperar selo tão cedo
O Brasil conquistou o grau de investimento pelas agências internacionais Fitch Ratings e Standard & Poor’s pela primeira vez em 2008. Em 2009, conseguiu a classificação pela Moody’s.

Agora, com a perda do selo de bom pagador nas três agências, a perspectiva para uma reconquista do grau de investimento fica ainda mais distante. Historicamente, países costumam levar cerca de 5 a 10 anos para recuperar o título.

“As perspectivas de melhora ficam ainda mais postergadas. O cenário é muito mais de um novo tropeço do que de uma melhora”, avalia Agostini. “Uma melhora da nota do país fica só para depois de 2018, quando tivermos uma situação mais clara sobre o crescimento econômico, que ao que tudo indica não deverá ocorrer antes de 2017”, completa.

     “Uma melhora da nota do país fica só para depois de 2018, quando tivermos uma situação mais clara sobre o crescimento econômico”
Alex Agostini, economista da Austin Rating

Pensamentos e outros afins

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Deus criou tudo e viu que tudo era bom. Logo ele não criou o mal.
Surge a dúvida: Ou ele não criou tudo ou nem tudo era bom?
Concluindo, acho que ele criou tudo e que tudo é bom.
Por quê?
Porque o conceito de Bem e Mal ele deixou a nossa escolha.
Mas para que pudéssemos escolher era necessário conhecimento.

Os pecados humanos são roubar, matar, enganar etc.

Muitos animais enganam os outros se camuflam, esconde alimentos…
Muitos animais roubam alimentos, para sobreviver…
Muitos animais matam, seja para se alimentar, seja para defender seu território, seja para conquistar território, seja por fêmeas, seja pela liderança do grupo…

Enfim, os animais enganam, roubam, matam por motivos semelhantes aos humanos, só não pecam porque não sabem o que fazem.
O conhecimento serve para diferenciar o homem dos animais, pois sem ele faríamos o mesmo e não estaríamos errando.

Mas será que seria bom ser assim onde o livre arbítrio existiria totalmente, se faria o bem porque tudo é bem. Ou seria melhor ter o conhecimento, e optar por conta própria entre o bem e o mal.
Deus preferiu dá total liberdade de escolha ao homem, total livre arbítrio.

Como?
Primeiro Deus chamou a atenção do homem para a árvore fruto do conhecimento, proibindo. E é instintivo que o proibido se torna mais atraente.
Segundo Ele permitiu que Lúcifer tentasse o homem para consumir o fruto e assim adquirir o conhecimento.

Por que ele não forneceu o conhecimento de outra forma?
Creio que porque se ele agisse desta maneira o homem iria adorá-lo em gratidão, iria saber tudo e perder o sentido da busca. E talvez, não fossemos felizes. Para verdadeira felicidade e livre arbítrio, nós teríamos que criar as nossas definições, desenvolver nossas idéias.
Ele expulsou Lúcifer para que entendêssemos que se só o amá-lo porque temos conhecimento, não seremos felizes. Afinal, não são todos que adquirem o conhecimento necessário para entendê-lo. E todos devem acreditar Nele, sem conhecimento, sem entender. Essa punição causa uma crença, que faz com que tenhamos cuidado no agir e o mundo não se torna tão caótico.
Outro fator, é que o conhecimento errado pode afastar de Deus, e devemos acreditar Nele antes para compreendermos melhor e não sofrer este afastamento.
OBS.: Todo conhecimento é certo quando interpretado pela ótica certa. Tudo depende da interpretação.

Tudo faz parte da melhor solução, tudo tem um motivo. Mas devemos ter a coragem de acreditando, buscar compreender e assim aumentar a crença. Enfim, a Fé com a Razão. Ambas unidas. Buscar conhecimentos de diversas fontes levarão de início à dúvida, mas trarão depois à verdade.

correspondência secreta entre São João Paulo II e uma mulher casada: escândalo para um mundo doente

Nossa sociedade tem dificuldades graves para construir e nutrir amizades sólidas. Amizades profundas são uma raridade. Entre homem e mulher, então, quase uma aberração.

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Fez alarde na mídia, entre ontem e hoje, a notícia de que São João Paulo II manteve uma “relação de grande proximidade“, ao longo de mais de 30 anos, com a filósofa polonesa naturalizada norte-americana Anna-Teresa Tymieniecka.

A correspondência intercambiada entre o papa e a filósofa, segundo a mídia, teria sido “mantida em segredo” pela Biblioteca Nacional da Polônia durante anos.

A história

Eles se conheceram em 1973. Karol Wojtyla era arcebispo de Cracóvia. Anna-Teresa viajou dos Estados Unidos até a Polônia para conversar com o então cardeal sobre um livro de filosofia que ele tinha escrito.

Pouco tempo depois, começou a correspondência entre o cardeal e a filósofa, que decidiram trabalhar em uma versão ampliada do livro. Os dois se encontraram a partir de então muitas vezes e intensificaram a correspondência, que, naturalmente, com o tempo, se tornava menos formal.

Em 1976, o cardeal Wojtyla participou de um encontro católico nos EUA e foi convidado por Anna-Teresa para ficar na casa de campo da família, em Vermont. Grande apaixonado pela natureza, Wojtyla aparece em fotos daquele verão bastante alegre e descontraído junto à família de Anna-Teresa.

Em setembro do mesmo ano, ele escreve para ela:

“Minha querida Teresa, recebi as três cartas. Você escreve que está arrasada, mas não consegui encontrar resposta para essas palavras (…) No ano passado, já estava buscando uma resposta para essas palavras: ‘Eu pertenço a você’. E, finalmente, antes de partir da Polônia, encontrei uma forma: um escapulário. A dimensão na qual aceito e sinto você em todo lugar em todos os tipos de situações, quando você está perto e quando está distante”.

O teor dessas cartas pode dar a entender que Anna-Teresa tinha se apaixonado pelo cardeal. Esta é a opinião, por exemplo, de Marsha Malinowski, a comerciante de manuscritos que negociou a venda das cartas para a Biblioteca Nacional da Polônia. “Acho que isto se reflete completamente na correspondência”, conclui ela, em entrevista à rede BBC.

Anna-Teresa não foi a única mulher com quem o futuro papa João Paulo II manteve correspondência e amizade. Desde a juventude, Karol Wojtyla cultivou uma saudável relação de proximidade com várias amigas, entre elas Wanda Poltawska, psiquiatra com quem trocou cartas ao longo de décadas.

O que causou barulho na mídia no caso de Anna-Teresa foi a “intensidade pessoal” das cartas e o fato de que a filósofa era casada. De fato, após o horror nazista e a Segunda Guerra Mundial, ela tinha se mudado para estudar nos Estados Unidos, onde se casou e teve três filhos.

Uma amizade intensa e familiar

O marido de Anna-Teresa, Hendrik Houthakker, também era amigo de João Paulo II. Hendrik era um renomado economista de Harvard e, após a queda do comunismo, aconselhou o papa sobre a economia dos países do Leste Europeu. O papa o homenageou pelos serviços prestados.

Quando João Paulo II foi diagnosticado com o mal de Parkinson, Anna-Teresa passou a visitá-lo com frequência, além de lhe mandar flores e fotos da casa de campo de Vermont, que tanto encantara o cardeal Wojtyla no verão de 1976.

Depois da última visita do papa à Polônia, ele escreveu para Anna-Teresa sobre sua pátria: “Nosso lar comum; tantos lugares onde nos encontramos, onde tivemos conversas tão importantes para nós, onde vivenciamos a beleza da presença de Deus“.

A mídia, os internautas e suas previsíveis interpretações

Uma amizade cultivada tanto em família quanto em particular, na qual se vivencia e destaca “a beleza da presença de Deus”… Hmmm, não parece uma realidade palpável para boa parte da imprensa laica e dos seus leitores.

O barulho da mídia (e dos internautas que distribuem suas doses de infantilidade em forma de comentários) foi impulsionado, para variar, pelos “furores venéreos” típicos da nossa “cultura” sexualmente frustrada e doente: o que pipocou em torno à revelação da correspondência entre São João Paulo II e Anna-Teresa Tymieniecka não foi a beleza da amizade, a vivência pessoal e intensa da espiritualidade, um diálogo aberto sobre sentimentos e sua sublimação, a transparência afetiva, os conteúdos filosóficos debatidos, a natureza, a família, a pátria, Deus. Não, nada disso. O que pipocou, previsível e mediocremente, foram as pobres e vulgares insinuações de algum possível escândalo sexual.

É verdade que boa parte dos artigos fez a ressalva de que “não há sugestão alguma de quebra do celibato por parte do papa“, mas também há insinuantes martelamentos em aspectos como “a mulher era casada“. E se fosse solteira? Não haveria, será, o mesmíssimo insinuante martelamento no fato de que “a mulher era solteira“? E se fosse viúva? Zzzzz.

Nossa sociedade tem dificuldades graves para construir e nutrir amizades sólidas. Amizades profundas são uma raridade. Entre homem e mulher, então, quase uma aberração. Entre homem e mulher e sem sexo? Hahaha. Amizades capazes de transparência afetiva e abertura filosófica e espiritual soam quase tão alienígenas quanto a beleza da castidade e do celibato por parte de um homem forte, jovem e saudável. E amizades em que há intercâmbio de correspondência, para pessoas que mal sabem produzir uma linha sem erros de ortografia, parecem ser, irremediavelmente, incompreensíveis.

Pobre mundo. Ora pro nobis, São João Paulo II.