Eu tenho duas armas na minha cabeça: uma do bandido e outra do Estado

(Escrito por: Thiago Mourão)arma

João Alex Schomaker, 24 e Ricardo Santos, 24 vão virar nomes emblemáticos para a juventude brasileira. Ambos mortos a tiros: um de bandido, outro de polícia. O primeiro, formando em biologia. O segundo, preparando-se para o circuito mundial de surfe.

Os nomes dos dois somados resultam em 82 mortes diárias, sendo destas 77% jovens negros, de acordo com dados de 2014 da Anistia Internacional.

Cada vez que o nome de um ou outro é escrito, a juventude brasileira sangra. Meus dedos, Thiago Mourão, aspirante a um futuro de respeito, sangram na escrita deste texto. Eu tenho duas armas na minha cabeça: uma do bandido e outra do Estado. E eu tenho sérias dúvidas sobre qual é mais perigosa e irresponsável.

As mortes de ambos, num espaço de dez dias, acende a luz vermelha para o estado de abandono que se encontra a juventude deste país. É preciso que garotos em evidência social sejam brutalmente assassinados para que a sociedade se volte ao (des)tratamento dispensado pelos governantes.

Este é o chamado para que nós ocupemos nosso papel e comecemos a reagir contra os descasos das autoridades de todas as instâncias e instituições desta República.

É hora de Joãos e Alexs do Brasil, que têm o privilégio de exercerem seus talentos (o que deveria ser um direito de todos mas enfim…), reagirem, antes que seja tarde, e colocarem nossas pautas, tais como: revisão do sistema de repressão e guerra às drogras, reestruturação do ensino, reestruturação do transporte público urbano com revisão das relações entre empresas e Estado, reformulação da polícia militar brasileira, política econômica eficiente e sem maquiagem e etc, nas ruas e nos debates.

Podemos ir às ruas literalmente, relembrando junho de 2013, podemos ir às redes sociais abrir debates, ocupar os espaços livres dos veículos de comunicação, ocupar também as caixas de e-mail dos parlamentares e executivos com cobranças, sugestões e acompanhamento. Vamos bater ponto no senado, nas câmaras, nos palácios.

Vamos mostrar aos mandatários desta nação que aqui tem juventude ativa, criativa e alerta. E vamos nos defender, porque o cenário nos empurrado pelas Excelências, dos resultados do Enem 2014, às passagens e qualidade dos transportes públicos municipais até os assassinatos diários, brutais e silenciosos nos becos do país, nos mostra que estamos completamente sós. E sangrentos.

Retirado do Brasilpost.  

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