Como sobreviver à queda de um avião sem paraquedas

paraCair de um avião ou ser jogado para fora dele é uma situação bastante improvável, a não ser que estejamos falando de romances baratos ou filmes de ação. Esse destino está tão próximo de acontecer quanto ficarmos perdidos no deserto do Saara, à deriva no mar, ou sermos mordidos por uma criatura mortal exótica.

É difícil imaginar o que faríamos se estivéssemos em situações tão ruins, mas se prevenir nunca é demais, certo? Afinal, pode acontecer.

Imagine que você está caindo pelo ar, a 10 mil metros do chão e não tem nada além de inteligência, coragem e um pouco de sorte. Crendo que o frio e a falta de oxigênio não te matem antes, aqui estão quatro passos simples para tentar suavizar o seu destino depois de ser expulso de um avião:

Passo um: Não entre em pânico. Mesmo que você desmaie por falta de oxigênio, você provavelmente retomará sua consciência a tempo de tentar fazer alguma coisa.

Passo dois: Deixe sua postura parecida com a de um paraquedista voando no estilo “esquilo voador”. Para isso, faça com que seus braços e pernas formem um X, mantendo o peito para baixo e arqueando as costas e o pescoço.

Passo três: Escolha um alvo. Evite superfícies duras, e não se deixe enganar pela água: ela o golpeará tão fortemente como se você estivesse indo em encontro a uma calçada. Responda ao canto das sereias do mar e só lhe restará imaginar quanto tempo o seu corpo quebrado sobreviverá antes de se afogar.

Palheiros, arbustos, montes de neve e pântanos são a melhor aposta para uma possível sobrevivência e são mais “seguras” do que gramados ou asfalto. Árvores e vidros podem empalar você, mas eles já salvaram paraquedistas, então não custa tentar. Se não der para evitar uma área povoada, o melhor alvo pode ser um telhado.

Qualquer superfície que absorva o impacto da queda pode fazer a diferença, evitando algumas rupturas de órgãos ou traumas generalizados.

Passo quatro: Escolha a posição antes do impacto. Cair de cabeça é certamente uma má escolha. Cair com o corpo plano irá distribuir a força do impacto através do seu corpo, mas, por outro lado, a Agência Federal de Aviação dos EUA recomenda pousar com uma paraquedista, mantendo os pés juntos e os calcanhares, joelhos e quadris flexionados.

Se você cair na água, deve escolher mergulhar primeiramente a cabeça ou os pés. Independente da sua escolha, mantenha o corpo em linha reta como uma vareta. Se for mergulhar de cabeça mantenha os braços ao lado dela para protegê-la. Se for mergulhar em pé, lembre-se de apertar a sua… bem, seus músculos glúteos. Quanto menos se falar sobre o porquê, melhor.

Retirado do [Life’sLittleMysteries]

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Entrevista com Marciano

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Subject X

26 de Outubro [Ano confidencial]

Goiás, [Cidade Confidencial, mas é perto de Goiânia.]

Horário: 08:08 até as 0:18.[Horário estritamente preciso]

Começamos [Na verdade só existe eu como entrevistador] a analisar os fatos caóticos relacionados com as mudanças que o mundo apresenta, e em fato a isto, consagrei, de forma iminente que não estamos sozinhos. A partir deste FATOS(Uso no plural só pra aparecer ser Latim, mas não é.) pude analisar cuidadosamente e de forma meticulosa toda a alteração e alienação que certos costumes acarretavam em nossa sociedade. Por meio deste fato foi diagnosticado que a minoria estava apoiando a maioria de forma subjetiva, o que demonstra total colaboração com os fatos que serão apresentados logo abaixo. O documento foi extraído de uma caixa cinza escuro(o nível mais Secret do TOP SECRET que existe.) esse relato que foi feito por áudio gravação, mas será transcrito aqui, neste exato momento. O suposto “Subject X”, o chamarei assim para preservar a identidade, foi interrogado PACIFICAMENTE, deixo bem claro que foi por livre espontânea vontade do Subject X, mesmo porque em nossa política preservamos o livre arbítrio.

Enfim, segue abaixo a entrevista realizada com ele, que por sinal, é muito interessante:

ENTREVISTADOR: O que você é?
Subject X: Shinu kiwosa kashiro ofkwishicnmt

ENTREVISTADOR:Porque você está aqui?! és um DEMONHO?!
Subject X: Coshorozoto uzhei komh biazul

ENTREVISTADOR: Interessante, mas porque escolheu esse planeta?
Subject X:jjaajjajajaajjaja, takow ogawa shini SHINAAAAAAAAAY ozawa kashirmiro Tucson!

ENTREVISTADOR: Você tem sotaque da lingua japoneizada, é parente de coreano? chinês? és um DEMONHO?!
Subject X: nudle Zelenina opice v pátek jsem šťastný jako čokoláda, šílená tjestenina povrća majmun petak ja sam sretna kao čokolada ludi.

ENTREVISTADOR:Pô eu também não sou fã de Nutella, mas vamos voltar pro assunto principal. O que você está fazendo aqui, e porque veste esse tipo de roupa, faz parte de alguma organizaçaõ Secreta?! Tipo a OMO multi ação!?!?!
Subject X: cizte mofia daon RÁ Mon ez ludwik shsashimiro okawaxa iiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii tocotcotocotocotocotocotocotoctocoto shalálálálaálálálálálálálálálálálálálalá!

Neste exato momento de agora( O tempo é atemporal, e não, isso não é redundância!), teve uma grande explosão, e tivemos que sair as pressas e ele evaporou na minha frente, ops, na frente do ENTREVISTADOR, e sumiu vagarosamente soltando um barulho mesmo estranho e falando a seguinte frase com mais ou menos essa cara:

chow” SHINAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAY!!! SHUNAAAAAAAAAAAAAAAAAAY!!”  E sumiu.

A entrevista foi interessante, conseguimos extrair muitas informações satisfatórias, como clima, vegetação e população exata de 38 planetas não registrados, sem falar dos habitantes que habitam (logicamente) algumas estrelas que existem por aí que por sinal, É CONFIDENCIAL!

Esse (marciano) “Subject X” é de origem desconhecida. Mas estudaremos sua origem quando ele voltar no (Burguer King) nesse Planeta! Espero ter sido bem expressivo, pois eu e eu mesmo e nós mesmos entendemos TUUTTTO!

TÁTÁTÁTÁÁÁÁ!!!

12 de Maio de 2047(Véspera de Natal)

Sentido da Vida – O verso do inverso.

Criança-lindaSinta o dia como o gosto de uma laranja, ácida e doce!

Desfrute de cada manhã como se fosse aquela torta de morango, Gostosa!

Seja feliz na mesma proporção que você deseja felicidade, sincera!

Viva como se não pudesse viver outro dia, aproveite o momento!

Sinta as pessoas como se fôssemos fermentos de uma massa de pão, Seja o universo!

Seja você sempre, não importa a opinião alheia, procure dentro de você o prazer de viver e encontrará a felicidade suprema.

A vida não é fácil, então lute sempre! E mesmo que tudo pareça não progredir pro seu lado, persista! Se tudo ficar na merda, faça cara de peixinho… isso mesmo! Faz cara de peixinho pros problemas(é a maneira de ligar um foda-se Consciente). Afinal, você não veio pra esse mundo pra pensar em problemas, você veio pra resolvê-los.

Porque você não precisa de ninguém pra ser feliz, a felicidade não é uma escolha, é um estado de espírito.

Floresça em seus sentimentos, sinta sua liberdade suscitando em suas veias, aprenda o valor de um abraço, saboreie vagarosamente um doce beijo, escute a lição de um bocejo e ame a vida, principalmente a sua vida e você perceberá que indecisão não existe e que o verdadeiro sentido de estar aqui é somente para.. para… (essa parte você já sabe…)

O ESSENCIAL DE UM MÉTODO DE ESTUDO PARA CONCURSOS

ccccMeu propósito com esse texto é o de auxiliar aqueles que iniciam a jornada. Depois de muito aprender conversando com outros candidatos, lendo inúmeros depoimentos de aprovados e entrevistas com especialistas, acompanhando as dicas de vários professores de cursinho e de profissionais envolvidos com coaching, arrisco aqui elencar o que é essencial na rotina de qualquer candidato:

1 – Dar enorme importância à lei seca, que é fundamental principalmente para a 1ª fase (aproximadamente 80% das questões). A leitura é chata, mas não há outra saída. Crie o hábito de ler dispositivos legais todos os dias. Você deve estar 100% familiarizado com eles.

2 – Fazer exercícios constantemente. Não pense que você conseguirá resolver satisfatoriamente as questões da prova apenas estudando. Comece a praticar e sentirá a diferença. Você verá que muitas questões se repetem. Em vez de simplesmente conferir o gabarito, você deve saber por que acertou ou errou. Os livros com exercícios comentados agilizam sua vida nesse ponto. Os mais conhecidos no mercado são o “Como passar em concursos jurídicos” e o “Revisaço” (o primeiro tem muito mais questões, mas os comentários são mais breves; o segundo tem bem menos questões, mas comentários mais extensos). Há também o site questõesdeconcurso, geralmente recomendado.

3 – Ler no máximo um livro por matéria, de preferência obra escrita por professor de cursinho para carreiras jurídicas. Estudar para concurso não é fazer uma pesquisa acadêmica. Muitos dizem passar apenas com sinopses ou cadernos desse cursinhos, embora, a meu ver, tenham lido muitos livros durante a faculdade. Em concurso o importante é a horizontalidade (conhecimento razoável), e não a verticalidade (conhecimento aprofundado) do estudo. Não caia na ilusão de que um Juiz ou Promotor sabe tudo de tudo, não pense que você tem que saber mais do que a banca examinadora. As obras “concurseiras” se diferenciam das demais porque em geral sintetizam o posicionamento de vários autores bem como o entendimento jurisprudencial mais recente, além de serem escritas em linguagem mais acessível. Associar a leitura desse livros com videoaulas de cursinho também tem um resultado interessante, embora isso não seja imprescindível.

4 – Manter-se atualizado com a jurisprudência do STJ e STF. Cai bastante e é uma excelente oportunidade para se habituar com a aplicação do Direito a casos concretos. Além disso, você estará sempre relembrando conteúdos já estudados. Para não ter que ler tudo, já que alguns informativos são bem específicos e não são cobrados, o site dizerodireito.com.br seleciona aqueles com maior probabilidade de cair na prova e ainda os apresenta de forma esquematizada. É bem didático.
5 – Fazer revisões periódicas. Não adianta: você irá compreender bem o assunto assim que estudá-lo mas logo após algumas semanas irá esquecê-lo. Isso é normal! A não ser que você tenha uma memória prodigiosa, é necessário rever com frequência os assuntos já estudados, sob pena de você colocar tudo a perder no dia da prova. Repetir, repetir, repetir. É chato, mas não tem outro jeito. E a repetição deve ser espaçada, intercalada no tempo. Há quem passe sem resumos, há quem os julgue imprescindíveis. Há quem apenas grife. Há quem leia o mesmo assunto várias vezes ao longo do tempo. Todas essas técnicas de revisão funcionam, cabe a você optar por uma. O importante é revisar!

6 – Uma boa forma de se preparar para a prova oral é montar grupos de estudos que simulem essa fase do exame. Os participantes vão se alternando nas perguntas e nas respostas.Há vários arquivos de texto circulando na internet com perguntas reais já feitas nos concursos da magistratura e do mp. Para a prova subjetiva, é importante resolver as questões anteriores e ficar sempre atento para o português. Para treinar, indico o site questoesdiscursivas.

7 – Ter foco no edital. Estude com base no edital do concurso anterior para o cargo que agora você pretende. Publicado o edital, confira se houve mudanças e adeque os seus estudos. Comece pelos temas que você não domina, pois temos a tendência de estudar só aquilo que gostamos, o que é um grande erro.

8 – Gerenciar sua rotina: organize os seus estudos para que você siga todas essas dicas. Monte um quadro de horários e disciplinas. Estipular metas diárias de horas de estudo é algo que pode otimizar o seu rendimento. Você se sentirá forçado a cumprir aquilo que planejou e terá uma grande alívio ao alcançar a meta (“o passo do dia foi dado”).

9 – Ter persistência e confiar na sua capacidade. O aprovado é antes um dedicado do que um gênio. Muitos tentarão te rebaixar, não confiarão no seu potencial, dirão que você sonha muito alto etc. Se você sabe o que quer, seja determinado e não dê ouvido a essas pessoas.

10 – Respeitar o seu limite do seu corpo. Estudar com sono ou cansado não traz resultados. Uma boa forma de descansar a mente é cansar o corpo com exercícios físicos. Enfim, descanse, tenha seus momentos de lazer com amigos, namorado(a) e familiares.

Essas são pra mim as lições mais valiosas e importantes. Caso algum colega discorde de algum ponto ou tenha algo a acrescentar, fique à vontade!! Nosso objetivo é nos ajudar mutuamente. Abraço e boa sorte pra todos nós!

(Publicado por Delvito Neto.)

O que muda sua vida quando você mostra para o mundo quem é de verdade

veraddePersonalidade própria, definitivamente, é uma virtude. Na era das redes sociais, dos aplicativos de namoro, dos relacionamentos fast-food e das selfies auto afirmativas, esbanjar autenticidade é valentia para poucos. Talvez, porque abrir a janela do coração e mostrar para o mundo quem você é de verdade, o melhor e o pior de si, seus defeitos, qualidades, suas crenças, lendas e contradições exige muito amor próprio e uma dose absurda de coragem. Infelizmente, sinceridade é pássaro engaiolado na vivência do outro. Absolutamente lindo no status do amigo, na foto mascarada do instagram, na bebida “tapa-buraco” da balada e no falso desapego emocional. Mas quando o assunto é a nossa travessia, muitas vezes é bem mais fácil seguir o fluxo coletivo do que assumir as reais consequências de ser, pensar e agir diferente daquilo que é visto por uma minoria como “certo” ou convencional.

O (a) “maria vai com as outras” é facilmente identificável pelo semblante sempre atencioso a tudo que acontece a sua volta, pelo comportamento naturalmente mecânico, pela aceitação involuntária de padrões e pela nítida falta de argumentos perante a uma onda de atitudes repentinas, inesperadas e, definitivamente, injustificáveis. Ele bebe porque todo mundo bebe e não pelo simples prazer de degustar a vodca com energético. Ele termina o relacionamento porque todos os seus amigos decidiram ficar solteiros. Frequenta camarotes badalados para demonstrar quase competitivamente para todos os seus 859 amigos da rede que também está totalmente inserido no universo da ostentação. Decide namorar porque, milagrosamente, todos os seus parceiros de farras se renderam ao amor e não porque a flecha do cupido acertou seu coração. Enfim, esse tipo de gente sem um pingo de individualidade, vive em função do livre arbítrio de um grupo que ele entende como sendo seu e, perde a parcela mais importante do verbo viver: aquela que utiliza do nosso poder de escolha para efetivamente tomar decisões inteligentes e ser feliz.

Não tem nada de errado em se identificar com determinadas filosofias, modelos ou padrões de conduta e em consequência disso mudar sua linha de pensamento, seus caminhos e os passos que serão delineados. Ainda bem que somos todos feitos de carne, osso, vontades, arrependimentos e, sendo assim, completamente mutáveis perante as adversidades e as experiências da travessia. O problema está justamente em seguir determinado tipo de regra de vivência buscando a aceitação de alguém que não seja a si mesmo. O universo fora da nossa zona de conforto deve ser reflexo direto daquilo que nossa essência pulsa por dentro. Qualquer coisa que não satisfaça os desejos do nosso coração e represente em toda a integridade da palavra o nosso caráter, não pode e não deve fazer parte da nossa bagagem. Nada no mundo paga a paz de espírito e a tranquilidade de ser exatamente quem a gente é, sem precisar provar nada pra ninguém. Porque uma vez que se decide seguir as trilhas de uma sociedade modista, efêmera e recheada de contradições, cedo ou tarde se paga o preço de viver uma mentira e uma existência mascarada de submissão. O universo não costuma ser flexível quando manda a conta. Perdem-se oportunidades, pessoas, histórias, o amor da nossa vida. Perde-se a nossa identidade, aquilo que define quem a gente é ali, no cantinho escuro do quarto, quando não tem ninguém olhando.

Se você é feliz sendo marionete dos desejos dos outros, enquanto o mundo lá fora te exige coragem para ser autêntico, ótimo. Agora digo com toda verdade do meu coração, enquanto você continuar saindo para a gandaia quando a fome era de filme e cobertor, desistindo de parcerias bacanas porque sua melhor amiga não teve a mesma sorte que você, bebendo uísque quando sua sede era de um mero refrigerante ou simplesmente optando pelo sul junto com a multidão quando sua vontade era mesmo de conhecer o norte, tudo que vai conseguir é embarcar uma falsa liberdade que no fundo, no fundo, não passa de um medo terrível da tão famigerada solidão.

Escrito por Danielle Daian (Site: Casal sem Vergonha)

Leica

leicaSe você é pequeno burguês assumido como eu, vai tomar um café e volta quando eu escrever alguma outra coisa. Se você, no entanto, é nobre, vem de família com muitos nomes, tem posses, toma café com o dedinho para cima, ou é só um pobrão metido a besta tentando impressionar os desavisados, esse artigo é para você.
Leica é o nome de uma fabricante alemâ de câmeras fotográficas. Leica é, também, muito mais do que isso. Se você tem a Canon 1Ds – a melhor qualidade DSLR da era digital- ou a Nikon F6- a melhor câmera 35mm já fabricada – você só tem uma câmera. Se você tem uma Leica você tem um simbolo de distinção, uma encarnação do melhor gosto, da inclinação mais refinada da nossa cultura.
 A Leica foi a câmera de alguns dos maiores artistas da fotografia. É, também, a câmera por excelência do nobre.
Os assessórios do nobre, revelam aos iniciados e de forma discreta, uma percepção sofisticada, um gosto trabalhado e uma conta bancária recheada. A LEICA, assim como um relógio A. Lange & Söhne, uma gravata Marinella ou um terno Brioni cumprem esse papel. O nobre é muito diferente do homem comum. (Não é melhor, só diferente). Desde os tempos onde a nobreza das cidades-estado gregas chegaram a conclusão que só o homem “livre das necessidades imediatas da vida e dos laços que esta estabelece” (como diria Anna Harendt) estava apto a cultivar as faculdades mais elevadas do espírito (entre elas a arte e a política) e existir plenamente – a nobreza desenvolveu uma aptidão notável para a dominação, a perpetuação e o cultivo da civilidade como parte da super-estrutura que vincula tudo isso. A civilidade da nobreza – publicizada nos atos exteriores cotidianos – funcionou por séculos como código que delimitava as relações de poder, as precedências, as autoridades, as observâncias e os limites da própria classe. (Quem não dominasse os códigos, embora abonados, eram logo deixados de fora, os famosos: sem berço). Não apenas o fazer, mas o como fazer, a civilidade nos processos diários do vestir, do andar, do comer, serviram de ligame que deu constituição sólida a essa classe, a distinguia das outras e ordenava as lutas no interior do grupo. Dai nasceram a cortesia e a diplomacia. Pequenos códigos de grande significado, uma forma delicada de mandar o outro pro infermo e continuar ouvindo Mozart.
O mundo mudou, a nobreza hoje é matéria de tablóide. Hoje as rainhas, príncipes e princesas são fotografados em situações escandalosas por assalariados com câmeras Canon e Nikon. O mundo é dominado por dois jovens que criaram o google e as casas reais servem de enredo para livros de teorias conspiratórias. (Das quais, em algumas eu acredito). Entretanto, umas coisa não mudou: as exterioridades.
 As exterioridades implicam uma relação diferente do nobre com a câmera fotográfica. A câmera do nobre precisa ter, em tese:
  • Uma experiência reflexiva, um processo de criação artística indiscutivelmente profundo e único que leve o fotógrafo o mais perto possível da experiência do artista a quem em parte admira, em parte desdenha. Nada mais parecido com isso do que uma foto criada com tempo e inteligência, completamente no modo manual e de preferência em preto e branco. Lembre-se, esse homem governa o mundo, comanda Estados, quando vão fotografar não querem saber de auto-focus para clicar jogador de futebol. Querem uma experiência intelectual, artística, humana.
  • Discreta e elegante.
  • Tradição e atemporaniedade. Quem gosta de novidade é novo-rico e portanto digital é coisa de pobre (na minha opinião a LEICA terminou de se F… depois que inventou virar digital da forma que virou);
  • Distinção. Deve conferir uma aura de especialidade. Cada Leica é finalizada a mão por um mestro-construtor. Não é feita em linha de produção na China. A Leica oferece uma das mais legais personalizações de câmeras do mercado, você pode até gravar a sua assinatura);
  • Excelência indicutível. Você pode dizer tudo de uma LEICA, menos que ela é ruim, principalmente as lentes. Algumas dão um banho nas nossas burguezinhas.

A Leica de fato oferece tudo isso.

Ademais a LEICA conseguiu desenvolver em suas lentes um “look” diferenciado que faz parte da tradição da marca – assim dizem os aficcionados. Se todo mundo consegue ver esse look, eu não sei. Mas a explicação lógica para esse fenômeno do “look” de uma lente é simples. Uma lente, a grosso modo, é um problema ótico cujo objetivo é a resolução das diversas categorias de distorção que existem tendo em vista produzir a melhor qualidadede imagem. Os artesões da LEICA conseguiram alcançar um certo arranjo na forma como as superfícies de vidro dentro de um sistema de lentes contribui para a resolver as diversas categorias de distorções óticas. Uma outra fabricante, chega a um outro arranjo, visto não haver uma única solução para o balanceamento das distorções óticas de um sistema. Ainda que as duas soluções sejam excelentes, produzidas por fábricas top-de-linha, os dois arranjos distintos que resultarão em imagens com aspecto, cor, constrastes, nitidez sutilmente diferentes. Essas diferenças, todas dentro da margem que consideramos correta, formam o “look” de determinada lente, linha, modelo ou mesmo fabricante. A Leica, com certeza tem levado isso muito à sério ao longo de toda a sua história.

Por isso, da próxima vez que você dizer que LEICA é ruim seu mal-criado, é melhor dizer: ela não é para mim. Ela tem um corpo que é tecnicamente menos sofisticado que a sua Nikon F6?ok. Eu daria 5200 dólares numa Leica? Nem a pau. Se fizer por 2000 eu compro. Ela vai sumir por que não conseguiu fazer o pulo tecnológico, ou abdicar de fazê-lo com mais charme e não essa atitude de enterro que caracteriza a empresa há anos? Talvez, sim. Mas eu espero que a herança de cultivar o “look” das soluções óticas não morra junto com ela.

Se conseguir absorver público das classes de grandes executivos e industriais, dos esportistas, os quais falam uma linguagem um tanto diferente da nobraiada, algo mais parecido com alta-performance, Hugo Boss, Aston Martin e mulher pelada no comercial, talvez a marca ressurja.