Você é aquilo que diz não ser

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Eu não te conheço. Mas você se conhece. Você quase sempre sabe quando está fazendo merda, falando besteira, se revelando. Basta ouvir a si mesmo.

“Não sou racista, mas…”
Fique atento sempre que essa construção sair da sua boca. Eu não te conheço. Não sei se você é racista ou machista ou esquerdista. Mas você sabe.

Você é o que você faz – não o que você pensa que é, o que você deseja ser, o que você diz que é.

Então, se você diz que não é machista mas, logo em seguida, faz um comentário machista – isso faz de você um machista! A expressão inicial “não sou machista mas…” além de NÃO servir como antídoto ou contraponto para o comentário invariavelmente machista que vem depois, ao contrário serve apenas para chamar atenção para ele. Machista é quem faz comentários machistas – independente da pessoa dizer ou não que é machista, de se achar ou não machista.

Exemplos:
“Não sou comilão, mas vou comer um segundo prato só porque não comi nada hoje.”

(Você faz o comentário justamente porque sabe que vai se comportar como um comilão e pegar um segundo prato – o que, naturalmente, faz de você um comilão.)

“Não sou direitista mas que aborto é assassinato, isso é.” Ou, ou: “Não sou de esquerda, mas acho que Fidel Castro fez bem em nacionalizar a economia.”

(O que faz de você um esquerdista ou um direitista são justamente suas opiniões esquerdistas ou direitistas. Se você diz que não é, é porque JÁ sabe que suas opiniões vão ser percebidas assim – e vão ser percebidas assim PORQUE SÃO ASSIM.)

“Não sou pedante, mas essa banda parece coisa de porteiro com gumex no cabelo.”

(Está ficando claro?)

“Não sou crítico literário, mas achei esse livro muito fraco.”

(Aqui, a pessoa diz que não é crítica literária porque está prestes a fazer algo que ela ACHA que é o que fazem os críticos literários, ou seja, julgar o livro. Naturalmente, não é isso, mas o exemplo se mantém: a gente sempre diz que não é aquilo que achamos ou tememos ser.)

Fiquem atentos ao que as pessoas dizem que não são. Especialmente se a pessoa for você.

Descobri coisas vergonhosas sobre mim mesmo quando passei a reparar quais coisas eu dizia que não era.

E, só assim, pude começar a mudar.

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