A passagem

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(…) Num dia cheguei,

Me assentei num lugar onde a maioria não me via,

Havia uma passageira ao meu lado.

Fiz boa viagem, nessa viagem sorri, ri bastante, amei, me esforcei, tive preguiça, disposição, medo, sonhos, tive até coragem,

Algumas vezes estive na janela, sempre como passageiro, vi belas paisagens, belos pores-do-sol, vi também uns relâmpagos aluminados com seus amigos trovões – assustadores, vi choro, preocupação e até tristeza,

(mas falando bem baixinho, confesso que ouvi algumas poucas asneiras também…),

Ouvi histórias de tentativa de assalto,

Ouvi contos de casamento,

Ouvi histórias muito bem contadas e proporcionalmente muito bem interpretadas,

Junto de uns passageiros sofremos, por uma dor no coração de um passageiro, mas que melhorou: coração Lindo de uma alma Alva.

Vi histórias de cãezinhos adoráveis, sem vê-los,

Vi pureza, águas paradas e águas profundas,

Vi histórias de queimaduras,

Vi tombos no corredor,

Casos de dentes e dedos quebrados,

Vi religião e até Deus (ou não era?),

Vi deslocamento de ombro, mas recuperação,

Lanchei todos os dias com passageiros inesquecíveis (como é bom comer…)

Não vi pessoas peladas, mas um dos passageiros disse que viu,

Vi várias e várias vezes, derradeiras validações

Vi outras partidas, todas com alegria para outros locais,

Vi muito trabalho,

Vi férias, vi expectativa, vi desilusão,

Vi tanta coisa nessa viagem,

Vi até uma passageira grávida, parabéns e toda sorte a essa mamãe.                

(…)

Pude me deparar com simplicidade, com humildade, sorrisos, conselhos, receitas, fotos (algumas adulteradas para parecer engraçado),

Graças a Deus, o trem em que estávamos não descarrilou, torço para que não o faça,

Que a torre de controle dê mais sossego aos maquinistas…,

Os maquinistas são bons e confiáveis,

Mais algumas montanhas e

O trem finalmente chegou,

A travessia acabou.

 

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Alguém

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De vez em quando eu penso em quando estávamos juntos
Como quando você disse que se sentiu tão feliz que você poderia morrer
Eu falei para eu mesmo que você era certa pra mim
Mas mas senti tão sozinho em sua compania
Mas isso era o amor e é uma dor que ainda me lembro

Você pode ficar viciado em um certo tipo de tristeza
Como renúncia ao final, sempre o final
Assim, quando descobrimos que não fazíamos sentido
Bem, você disse que ainda seríamos amigos
Mas eu admito que eu estava feliz por tudo ter acabado

Mas você não precisava ter me cortado de vez
Fazer como se nunca tivesse acontecido que não era nada
E eu nem sequer preciso do seu amor
Mas você me trata como um estranho e se faz tão rude
Não, você não tem que descer tão baixo
Ter seus amigos, recolher os seus registros e mudar seu número
Eu acho que eu não preciso, apesar de que
Agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer

De vez em quando eu penso em todas as vezes que você me ferrou
Mas me fezia acreditar que era sempre culpa de algo que eu tinha feito
Mas eu não quero viver dessa maneira, analisando cada palavra que você diz
Você disse que você poderia deixar pra lá
E eu não iria te pegar obcecado por alguém que você costumava conhecer

Alguém,
Que eu costumava conhecer
Agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer (alguém,)
Alguém, agora você é apenas alguém que eu costumava conhecer

Alguém…

(Walk off the Earth – Somebody that i used to Know)

 

Rica Ignorância

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A ignorância degrada as pessoas apenas quando associada à riqueza. O pobre é limitado pela sua pobreza e pela sua necessidade; as suas realizações substituem nele a instrução e ocupam os seus pensamentos. Em contrapartida, os ricos, que são ignorantes, vivem meramente para os seus prazeres e assemelham-se às bestas, como se pode ver todos os dias. Quanto a isso, acrescente-se ainda a exprobação de que a riqueza e o ócio não teriam sido desfrutados para aquilo que lhes confere o maior valor.

Arthur Schopenhauer

O verso atravessado

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Eram inúmeras idéias sobre o amor, inúmeros pedaços de papéis entre lágrimas e nostalgia. Era um dia comum, meio nublado, um dia cinza talvez, um pensamento distante. Pessoas passavam na porta, de vários lugares, de vários valores, de várias etnias, poucas almas.

Ninguém ao certo entende o que acontece com ele, na verdade, nenhuma linha de raciocínio ousaria administrar alguma idéia sobre tamanha façanha. Era algo diferente… um dia com espectavivas a mil, outro dia sem espectativa alguma! Era como a Lua.. era como o Sol, era como um dia claro radiante, ou como a noite escura e fria.

Tinha várias idéias, mas apenas 2 personalidades, uma que se guardava no fundo do coração, outra que transbordava no recipiente corporal. Não sabia qual era a diferença de ser sincero ou ser racional. A única verdade era que tudo era simplificado, transparente.

E certo dia, como outro dia qualquer, ele notou uma diferença no olhar das pessoas, notou algo que antes não notara… e começou a perceber que tudo era diferente, e que mudava a cada dia. Que o mundo girava, e ele estava sempre parado, sempre! E antes que fosse tarde demais, sem saber o que seria o “tarde” ou o “demais”, ele resolveu mudar.

E foram dias, meses, anos, e mesmo assim, não era suficiente aquela mudança, precisava de mais, precisava de outros impulsos, e ele percebeu que uma mudança não fez diferença, alternou uma rotina aqui e ali, mas manteve o mesmo enredo como um Conto de fadas de várias editoras. Mudou um detalhe, mas o principal não fez diferença. E então ele acomodou novamente, se sentiu seguro, mas não feliz. E como a lua e o Sol, ele começou a mudar denovo, a transformar a rotina em página, e a página em papel emburalho e pronto pra ir pro lixo. Mas não era suficiente, ele precisa de mais…

Foi quando leu uma mensagem: “O essencial é invísivel aos olhos”, e começou a se perguntar novamente : “E agora? O que o destino proporciona a cada dia?”
E então ele escutou uma voz no fundo: “OWw acorda filho da puta, você vai perder seu ponto!”
E assim ele levantou assustado e foi trabalhar… mas a idéia martelou sua cabeça e continua martelando…

Conte Comigo

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Conte comigo, mesmo sem contar a mim tanta coisa que lhe pesa no coração, que lhe amargura e resseca o fundo d’alma.
Conte, nas horas mais abandonadas da vida, quando o olhar, vagando em derredor, só divisar deserto.
Conte comigo, mesmo sem vontade de contar com ninguém ou certo de que não vale a pena contar com mais ninguém, nesta vida.
Conte comigo, devagarinho, deixando que a boa vontade vá dizendo, sem nada forçar, à medida em que acreditar.
Conte, durante as agonias, que, de um tempo para cá, não deixam em paz seu cansado coração, pois o bom da vida consiste em encontrar um amigo.
Conte, nas horas inesperadas, quando as tempestades despregam repentinas e tombam por cima da sua cabeça triste.
Conte comigo, para re-aprender a cantar, durante a vida, e a viver de serenas e pequeninas felicidades.
Conte comigo, para eu ajudá-lo a ter rosto bom e quieto, ao menos na presença dos filhinhos menores, que vivem dos rostos abertos.
Conte, para auxiliá-lo no amargo carregamento da cruz.
Conte comigo, para ficar sabendo, de experiência, que há na vida muita coisa linda, coisa escondida, prêmio de quem se venceu na dor.
Conte, para triunfar, no ritmo vagaroso do dever, na cadência da paz diária, aprendendo a teimar com as teimas da vida madrasta.
Conte, que são largos os caminhos da vida, esperando os passos duplos de dois amigos que vão, na direção da conversa.
Conte comigo, para saber olhar ao alto, buscando a face de um Pai.
Conte, mesmo para não se entregar aos desânimos e desencantos, de quem anda cheia da vida, do começo ao fim.
Conte comigo, que venceremos juntos, anjo da guarda com seu pupilo.
Conte, que a vida tem ser bela, criando nós as belezas, de dentro para fora, obrigação do coração, missão da Fé.
Conte comigo, conte sempre, teimando com você mesmo, que não quer saber de mais nada, ofendido que foi, descrente que anda.
Conte quando, olhando para a frente, não sente vontade de andar; olhando para trás, tem medo do caminho que andou.
Conte comigo, para que tenha valor e beleza cada passo seu, cada dia da vida, cada hora dentro de cada dia.
Conte, conte mesmo, sabendo que Deus me deu a missão de fazer companhia aos desacompanhados corações dos homens.

(Alan Kardec)

Entender, mais pelo sentido que pela razão.

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Uma verdade só o é quando sentida – não quando apenas entendida. Ficamos gratos a quem no-la demonstra para nos justificarmos como humanos perante os outros homens e entre eles nós mesmos. Mas a força dessa verdade está na força irrecusável com que nos afirmamos quem somos antes de sabermos porquê.
Assim nos é necessário estabelecer a diferença entre o que em nós é centrífugo e o que apenas é centrípeto. Nós somos centrifugamente pela irrupção inexorável de nós com tudo o que reconhecido ou não – e de que serve reconhecê-lo ou não? – como centripetamente provindo de fora, se nos recriou dentro no modo absoluto e original de se ser.
Só assim entenderemos que da «discussão» quase nunca nasça a «luz», porque a luz que nascer é normalmente a de duas pedras que se chocam. Da discussão não nasce a luz, porque a luz a nascer seria a que iluminasse a obscuridade de nós, a profundeza das nossas sombras profundas.Decerto uma ideia que nos semeiem pode germinar e por isso as ideias é necessário que no-las semeiem. Mas a sua fertilidade não está na nossa mão ou na estrita qualidade da ideia semeada, porque o que somos profundamente só se altera quando isso que somos o quer – e não quando nós o deliberamos. Assim nasce um desencontro quantas vezes entre a mecânica dos nossos raciocínios e a verdade que em nós já é morta. No hábito dos gestos, as mãos tecem ainda na exterioridade de nós a plausibilidade do que em nós já não é plausível. Então nos é necessário substituirmos toda a aparelhagem de que nos serviríamos e já não serve. Surpresos olhamos quem fomos porque já nos não reconhecemos.
Atónitos perguntamos como foi possível?, quando, onde, porquê?, ao espanto da nossa transfiguração, ao incrível da cilada que nós próprios nos armámos, mesmo quando foi a vida que a armou; porque tudo quanto é da vida, e dos outros, e dos mil acontecimentos que quisermos, só existe eficaz e real quando abre em evidência na profundidade de nós. Como aceitar assim a força da razão, se a força dela está onde ela não está?

Permita-se

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Nossas vidas são definidas por oportunidades e escolhas, Até mesmo por aquelas que nós perdemos, Eu já morri umas cem vezes. Já traí a mim mesmo como sabia que faria, eu sou encrenca, vc sabe que não sou boa coisa, não sou bom em promessas, nunca cumpro acordos, já chorei sozinho rodando pela madrugada,já conheci anjos, já andei com demonios, sim eu conheci o amor e ja fui amado intensamente.
Já amei intensamente, como muitas pessoas passam por uma vida toda e nunca chegam a amar..
Eu já perdi um amor, apendi muito, ensinei tudo que sabia, e vi ele voar alto enquanto eu arrancava minhas asas e me tornava mais humano,
Já paguei meus pecados,
Eu já briguei com Deus, ja fiz as pazes com ELE,
Eu conheci o lado negro das pessoas, e vi como algumas tbm são iluminadas,
Eu vejo um homem morrer estando vivo e um outro viver estando morto, partilhei dores que nem eu consegui absorver, Mas sabe de uma coisa?,
Deus vive me lembrando que tenho sorte de estar vivo!
Conheci pessoas que me contaram historias, me mostraram suas dores e alegrias,
Já conheci lugares lindos, já estive no inferno muitas vezes,
Já me perdi dentro de mim mesmo, ja me encontrei num sorriso bobo de criança,
Levo um olhar distante…como alguem que busca alem do horizonte algo perdido,
Trago a alegria de acreditar em dias melhores,
Sim eu surto, me liberto de todas as amarras que tentam me impor, vivencio intensamente cada amanhecer.
Raramente falo sobre mim, quase todos os dias escutos sobre todos, as pessoas me buscam para afogar suas almas em diversão e momentos felizes. Na verdade o que elas não percebem é que nem precisariam de mim, eu apenas mostro o caminho fazendo o que elas muitas vezes temem fazer.
Não tenho rumo, nem parada, sempre busco algo que não sei bem o nome, já a encontrei algumas vezes, numa montanha, no mar, num bar com amigos…num sorriso bonito, numa palavra de carinho, num beijo apaixonado e continuarei buscando intensamente isto que alguns chamam de felicidade!
PERMITA-SE SER FELIZ!!!